Ex-GCM de Santos foi flagrado atirando na própria cadela no bairro Beira-Mar, em São Vicente (Reprodução) O ex-guarda civil municipal (GCM) de Santos, Franco Hamad Dacca Sousa, filmado matando a própria cachorra com um tiro, foi condenado a três anos e quatro meses de prisão, em regime aberto, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O crime ocorreu na Rua Luís Lafraia, no bairro Beira-Mar, em São Vicente, em 23 de dezembro de 2023. Uma câmera de monitoramento flagrou o momento em que o então GCM, que estava de moto, atirou e matou a cadela da raça pit bull em seu colo. Após o crime, a Polícia Civil ouviu a mãe de Franco, que afirmou ter sido atacada pela cadela junto com o marido, instantes antes de o filho matar o animal. Dias depois, o GCM prestou depoimento e apresentou registros de atendimentos médicos dos pais, sendo liberado por falta de flagrante. Ao longo do processo, Franco declarou à Justiça que estava na casa da namorada quando recebeu uma ligação da mãe pedindo ajuda, pois a pit bull estaria atacando o pai. Segundo ele, ao chegar ao local, encontrou Amora (a sua cadela) agitada. De acordo com o ex-guarda municipal, a cachorra poderia realizar novos ataques, pois se debatia. Por isso, efetuou o disparo. Ele afirmou ainda que já havia buscado adestramento para a cadela, que considerava indomável e com comportamento agressivo. Denúncia A Tribuna teve acesso ao processo e à sentença. Ao longo dos autos, Franco foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O ex-GCM foi condenado a três anos e quatro meses de prisão, em regime inicial aberto, em outubro. Na sentença, o juiz da 3ª Vara Criminal, Rodrigo Barbosa Sales, afirmou que as imagens das câmeras de monitoramento comprovam que o réu agiu de forma dolosa. O magistrado destacou que, apesar do histórico agressivo do animal, eventuais novos ataques poderiam ser evitados por meios lícitos, inclusive com a doação da cadela. Com a condenação, a defesa recorreu, alegando que Franco deveria ser absolvido por ter agido em estado de necessidade, diante do ataque sofrido pelos pais. Em resposta, a 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou o recurso e manteve a decisão da Justiça de São Vicente. Defesa O advogado Felipe Pires de Campos, que defende Franco, afirmou para A Tribuna que ainda não houve trânsito em julgado e que “existem outros recursos que serão formulados para buscar a absolvição de seu cliente”. GCM Franco era guarda municipal de Santos na época do crime e pediu exoneração do cargo no ano passado. Em nota, a Prefeitura de Santos informou que, após os fatos, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conduzido pela Comissão Permanente de Inquérito (Cominq), que resultou na aplicação de 90 dias de suspensão ao servidor. Ainda de acordo com a Administração Municipal, a penalidade passou a ser cumprida em 3 de abril de 2025. A Prefeitura informou também que, após o caso, o Comando da GCM determinou, de forma preventiva, o cancelamento da licença de porte de arma institucional do servidor, medida comunicada à Polícia Federal (PF). Após cumprir a suspensão, Franco solicitou exoneração do cargo em 2 de setembro de 2025.