[[legacy_image_96384]] O estudante de medicina Thiago Cassio Fuzatti dos Santos, de 20 anos, alega ter sido vítima de racismo na Universidade São Judas Tadeu, no Campus Cubatão, na manhã da última quinta-feira (26). Ele estava voltando do intervalo quando foi impedido de entrar no elevador por um colega de classe, que o chamou de "sujo", segundo a vítima. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! "Fui entrar no elevador e ele estava lá. Ele disse pra mim 'você não vai entrar no elevador não, seu sujo'. Eu segurei o elevador e falei pra ele pedir desculpa, mas ele saiu pela escada, afirmando 'mas você é sujo mesmo'. Tinha mais 15 pessoas esperando o elevador e todo mundo viu isso". O caso foi registrado na Delegacia Sede de Cubatão como Preconceito de Raça ou de Cor. Thiago afirma que foi muito bem acolhido pela unidade de ensino ao ir com os colegas na coordenação e que o suspeito fugiu antes da polícia chegar na Universidade. "Alguém contou para ele que eu tinha ligado para a polícia e ele foi embora antes do final da aula para não ser preso em flagrante", explicou Fuzatti. Segundo Thiago, essa não é a primeira vez que o suspeito faz piadas preconceituosas com ele e outras pessoas. Ele afirmou também que vai entrar com um processo por danos morais e que já acionou um advogado. "Ele sempre fez piadinhas, até com a minha namorada, tipo 'como você namora ele? ele é sujo, é fedido'. E também piadas desde o primeiro ano da faculdade de medicina, até hoje não parou, mas ele está em um nível a mais. Ele chama as meninas de gordas, é machista, todo mundo está revoltado", explica. A mãe de Thiago, a advogada Márcia Alexandra Fuzatti dos Santos, afirmou que veio de São Paulo para acompanhar o filho no momento do registro do boletim de ocorrência. "Eu como mãe fiquei extremamente consternada, eu acho que a cota tem que existir mesmo, é uma dívida racial que a sociedade tem com os negros". Ela contou também que se emocionou ao ver que as pessoas foram solícitas. "Todo mundo acolheu muito bem meu filho, o que me deixou mais tranquila. Pensei que eu ia chegar lá e iam falar que não viram, mas a diretora e os professores vieram me pedir desculpas e elogiar meu filho". O estudante ressalta que na hora ficou "triste e com raiva". "Ele (o acusado) paga R\$ 9 mil por mês, tem carro bom, nunca sofreu nada na vida então é por isso que acha que pode fazer isso com as pessoas. Espero que ele tome um susto e repense as atitudes dele", finaliza. Em nota, a Universidade São Judas Tadeu afirmou que "repudia qualquer atitude discriminatória realizada contra qualquer pessoa, dentro ou fora da nossa comunidade acadêmica". A unidade afirma ainda que foi instaurada uma sindicância para apurar os fatos que aconteceram na última quinta-feira (26) e tomar providências cabíveis. A reportagem tentou localizar o suspeito, mas não o encontrou até a publicação desta reportagem.