Caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Guarujá (Carlos Abelha/TV Tribuna) A Polícia Civil realizou uma operação nesta sexta-feira (25), que resultou na identificação de um esquema de veículos adulterados. O caso aconteceu na Avenida Marjorie da Silva Prado, 1324, em Guarujá, no litoral de São Paulo. A polícia iniciou as investigações após uma denúncia de um carro suspeito estacionado. Ao chegarem no local, os policiais encontraram um Chevrolet Montana que apresentava indícios de irregularidades. Eles iniciaram uma vigilância discreta em uma viatura descaracterizada e aguardaram em observação. Investigação Pouco tempo depois, um indivíduo em um Corsa vermelho desceu de seu veículo e se aproximou da Montana, abrindo o carro e retirando um objeto não identificado de dentro do automóvel. Ele retornou ao seu veículo e deixou o local, quando foi abordado pelos agentes. Durante a abordagem policial, o condutor do Corsa acabou confessando que trabalhava com o comércio de veículos ‘para rodar’. Veículos ‘para rodar’: o que são? Os veículos informados pelo homem são modelos disponíveis por preços muito abaixo do valor de mercado. Eles servem apenas para transitar dentro da cidade, pois são carros geralmente com dívidas acumuladas, como multas, impostos, financiamento atrasado, ou que são fruto de roubo ou furto. A expressão 'só para rodar' se popularizou em sites de anúncios e grupos de venda online, já que a pessoa que compra ou aluga esse tipo de automóvel assume o risco de rodar com o carro até ser parado e apreendido por uma blitz e ter que arcar com as contas pendentes para ter o veículo de volta. Muitas vezes o valor das dívidas destes carros ultrapassa seu próprio valor de mercado. Então, os veículos são apreendidos pela polícia e esquecidos nos pátios do Detran. Para retirar o carro, o proprietário precisa regularizar sua documentação e arcar com o valor da multa, considerada infração gravíssima, além de receber sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Caso a polícia identifique que o carro é fruto de um roubo, o comprador, mesmo que não tenha passado a documentação para o próprio nome e nem seja responsável pela subtração do item, responderá na esfera penal pelo crime de receptação, de acordo com o Artigo 180. Interrogatório Inicialmente, o homem hesitou em confessar o crime aos policiais mas, ao ser questionado, admitiu saber que alguns dos veículos que comercializa eram adulterados. Ele tinha em sua posse três veículos adulterados, embora não soubesse especificar se eram fruto de furto ou roubo. A Polícia Civil realizou uma investigação em sua residência, localizada no Beco da Rua Madalena, no Bairro Perequê. Os agentes se dirigiram ao endereço indicado e foram recebidos pela esposa do investigado, que entregou espontaneamente a chave de uma motocicleta PCX azul. Veículos Após consulta nos sistemas policiais, foi constatado que a PCX, na verdade, correspondia a outra placa, havia sido roubada e possuía registro de um boletim de ocorrência da Delegacia Eletrônica, feito em 2024. A respeito do Chevrolet Montana branco, os policiais identificaram adulterações no chassi, que haviam sido modificadas para coincidir com as placas. O verdadeiro proprietário do veículo residia em Guarulhos, e confirmou que seu carro nunca saiu de sua posse, apesar de ter recebido multas emitidas em Guarujá. Já o veículo Corsa Hatch vermelho, a princípio considerado regular, apresentou registros de utilização simultânea em duas cidades, Guarulhos e Bertioga, confirmando a possibilidade de adulteração. O veículo deve passar por um exame pericial para confirmação. Os três veículos foram apreendidos e encaminhados para análise pericial. O caso segue em investigação e o homem foi conduzido à delegacia para prestar depoimento e responder às acusações relacionadas ao esquema criminoso.