Golpista aplicou o mesmo ‘modus operandi’ contra as vítimas por meio de uma conta falsa, utilizando a foto e a OAB-SP do advogado Rafael Quaresma. Ele enviou a mesma mensagem para clientes diferentes trocando apenas os nomes e os números dos processos (Reprodução) Um criminoso criou uma conta falsa no WhatsApp utilizando o nome e a foto do advogado Rafael Quaresma e tentou aplicar golpes contra os clientes dele em Santos, no litoral de São Paulo. Ele abordou as vítimas enviando mensagens padronizadas na última quinta-feira (31). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Reportagem teve acesso aos ‘prints’ de algumas conversas e constatou que o golpista utilizou o mesmo ‘modus operandi’ contra as vítimas. Por meio do telefone (11) 96109-2707 e utilizando uma foto de Quaresma no perfil (a mesma disponível no site do escritório), ele abordou os clientes citando os seus nomes completos e os números dos processos judiciais, enviando a seguinte mensagem: “Boa tarde, (nome do cliente), estou entrando em contato para informar que obtivemos ótimas notícias no seu processo sob o número ‘XXXXXX’, referente ao processo ‘tal’. A decisão foi favorável e estamos nos preparando para os próximos passos. Caso tenha dúvidas ou precise de mais informações estou à disposição. Atenciosamente, Dr. Rafael”, mencionando ainda o registro do advogado na OAB-SP. Percebeu “Eu tenho um processo contra um plano de saúde e recebi essa mensagem desse golpista na quinta-feira. Ele me mandou um documento, com os dados reais do meu processo em um arquivo com o timbre do escritório. Eu percebi logo que era golpe pela maneira formal que ele me tratou e por causa do código DDD 11. Eu tentei dar sequência na conversa, mas ele parou por aí. Não chegou a me pedir dinheiro, mas eu soube que pediu a outros clientes”, conta um dos clientes que prefere não se identificar. Já um outro cliente, que tem uma ação judicial com pedido de indenização contra uma concessionária de energia elétrica, afirma que o golpista chegou a pedir os dados de sua conta corrente para supostamente fazer o depósito da indenização. Já o cliente que tem uma ação judicial com pedido de indenização contra uma concessionária de energia elétrica afirma que o golpista chegou a pedir os dados de sua conta corrente para supostamente fazer o depósito da indenização (Reprodução) Além da mensagem inicial padronizada, o golpista lhe enviou o seguinte texto: “O motivo do nosso contato é para dar prosseguimento com a liberação do valor que já se encontra em poder judicial. Estamos com um total de R\$ 10 mil (valor da ação) aguardando liberação. Para que seja entregue o valor, é necessário o cadastro de uma conta que esteja no nome do titular que poderá estar movimentando o valor em conta. Basta me informar o nome do banco, agência e conta para que eu vá até a sala da Procuradoria solicitar o cadastro de sua conta para recebimento do valor”. “Eu desconfiei que se tratava de um golpe quando vi que o telefone tinha código 11 e pelo tom formal das mensagens. Então, mandei uma mensagem para o Dr. Quaresma no número que eu tenho dele, e ele me disse que era golpe”, relata o cliente, que também pediu sigilo sobre a sua identidade. O advogado O advogado Rafael Quaresma, do escritório Quaresma Espinosa Advogados, não acredita ter sido hackeado e afirma que é muito fácil ter acesso aos dados principais das ações judiciais e das partes envolvidas no site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP). “Qualquer pessoa tem acesso à consulta de processos no site do TJ, você pode fazer a pesquisa pelo nome do advogado, pela OAB, partes do processo, etc. Se jogar o meu nome completo, vai aparecer todos os processos em que eu estou vinculado como advogado e, assim, o pesquisador tem acesso a todas as informações. Agora, como esse golpista conseguiu os números de telefone dos meus clientes eu realmente não sei”. Quaresma diz que, assim que tomou ciência da atividade ilícita, na quinta-feira, alertou os clientes. “Eu divulguei o alerta nas minhas redes sociais e àqueles que me passaram essa informação”. O advogado conta que não é a primeira vez que ele e os demais profissionais do escritório são alvos desse tipo de golpe. “Nós registramos boletim de ocorrência e divulgamos na imprensa e nas redes sociais do escritório. Daquela vez, uma cliente chegou a fazer transferência para o golpista, mas, agora, ninguém caiu porque as pessoas contaram a mim e o escritório, e o golpe está mais ‘manjado’”.