Confronto no Morro do José Menino, em Santos, termina com morte de suspeito

Homem que foi morto após troca de tiros com policiais do Baep portava pistola, munições e drogas

Com vista privilegiada para o mar, o Morro do José Menino, em Santos, foi palco de mais um confronto entre criminosos e policiais militares. Ao final de mais um capítulo dessa guerra urbana, que começou na quinta-feira e se estendeu até a madrugada de sexta-feira (20), um sargento levou um tiro numa perna e um marginal morreu. O bandido portava pistola, munições e drogas.

Na operação, para combater o comércio de entorpecentes, uma equipe do 2º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) rumou ao morro, na quinta à noite, e avistou um grupo de marginais armados.

Para evitar a iminente aproximação, os criminosos dispararam na direção dos PMs, que revidaram. Um sargento, de 31 anos, levou um tiro em uma perna e precisou ser internado na Santa Casa. Um bandido também foi atingido e morreu a caminho do hospital. Os seus comparsas conseguiram fugir e não foram identificados.

O marginal morto não portava documentos, e seu corpo foi removido sem identificação ao Instituto Médico-Legal (IML) de Santos. Ele é branco, alto, magro e com cabelos castanhos. O desconhecido portava uma pistola Glock .40, calibre de uso restrito, com dois cartuchos intactos no carregador.

Porém, o marginal tinha um carregador reserva com nove munições. Também transportava uma sacola com 506 cápsulas de cocaína, 384 porções de maconha, 210 pedras de crack, celular, bateria de rádio de comunicação e seis munições dos calibre 380 e 9 mm.

O episódio foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ). Ontem de manhã, segundo A Tribuna apurou, oficiais do 2º Baep e de outros batalhões da PM estavam reunidos para traçar ações para reprimir a criminalidade no morro.

“Mini Rio”

Comunidade de trabalhadores, mas também reduto de traficantes em razão da topografia que lhes permite saber com antecedência a chegada de policiais, o Morro do José Menino é comparado por agentes de segurança a um “mini Rio de Janeiro”.

Presenciar a venda e o consumo de drogas a qualquer hora pelas escadarias do morro é comum. Outra cena corriqueira é o porte ostensivo de armas e de rádios de comunicação por marginais incumbidos da segurança e da vigilância das “biqueiras” ou “lojinhas”, como são conhecidos os pontos de tráfico.

Crianças, adolescentes, jovens e adultos que moram na comunidade se depararam com tais situações e fingem nada ver ou escutar. Sabem da necessidade de seguir à risca a lei do silêncio, sob pena de sofrer retaliações do crime organizado, que avança diante da lacuna de políticas sociais do Poder Público.

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