Amanda Fernandes (esq.) foi morta pelo marido em uma clínica de Santos; velório da vítima (dir.) foi nesta quinta-feira (8) (Reprodução/Instagram e Anderson Firmino/AT) Amiga de Amanda Fernandes Carvalho, assassinada pelo marido, o sargento da Polícia Militar (PM) Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho na tarde dessa quarta-feira (7), a coordenadora de exportação Janaína Beieríe Rollo confirmou a recorrência das ameaças por parte do policial a ela e sua família enquanto cobrava confissão de uma suposta traição. O velório de Amanda ocorreu nesta quinta-feira (8), na Santa Casa de Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! "Ele era uma pessoa muito fechada, que não tinha amizades. E era muito ciumento e agressivo", afirma. Janaína estava do lado de fora da clínica de estética no canal 1, em Santos, e foi avisada por Amanda da presença de Samir no local. "Fui eu que chamei a polícia. Ela me mandou mensagem para eu ir para a clínica e aí ela falou 'Não entra porque ele está aqui dentro, mas chama a polícia'. Eu liguei para o 190", descreve. Janaína viu a chegada da guarnição de policiais militares, mas permaneceu do lado de fora. "Só ouvi os disparos do lado de fora. Então, começou a chegar mais (viaturas da) polícia, entrou todo mundo e não me deixavam entrar. A única coisa que eu fiz foi entrar na ambulância com a filha dela, porque ela estava sendo socorrida, menor de idade, não tinha ninguém. Eu estava do lado de fora. Eu vi ele sendo preso", conta. "A última mensagem que ela me mandou é de que estava trancada na sala do médico por causa das ameaças lá dentro do consultório", acrescenta, ainda muito abalada por conta do crime. "A gente se falava todos os dias", ressalta. Independência e agressões Segundo a amiga, Samir possuía ciúme extremo de Amanda, bem como incômodo pela independência financeira dela. "Ele sempre tinha muitos ciúmes dela e a Amanda sempre foi uma pessoa que correu atrás das coisas dela. Então, financeiramente, ela era independente, maior (que ele)", afirma. Janaína relata que as agressões contra Amanda eram feitas de forma a não deixar vestígios. "Ele puxava os cabelos, batia na cabeça, (em um) lugar que não fica marca. Ela me ligava, eu tinha que ir à casa dela de madrugada, porque ele estava ameaçando". Filha Janaína conta ainda que a filha de Amanda, de 10 anos, está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, mas passa bem. Ela foi baleada na perna e no braço, que precisou ser operado por conta de uma fratura. "Ela conversa, mas ainda não sabe o que aconteceu com a mãe. Entrou num estado de choque no hospital. Aí entrou um policial na sala e ela gritou que ela não queria polícia dentro da sala onde ela estava", conta a amiga de Amanda. Janaina Rollo durante velório da amiga Amanda Fernandes, morta em Santos (Anderson Firmino/AT) Tristeza No velório, que acontece na Santa Casa de Santos, muita comoção. O filho mais velho de Amanda, que tem 17 anos, está no local, assim como a mãe da vítima, que não falou com a imprensa. Relembre o caso Amanda Fernandes Carvalho, de 42 anos, foi morta a tiros pelo marido, o sargento da PM Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho, em uma clínica médica de dermatologia e estética na tarde desta quarta-feira (7), em Santos. Durante a ação, a filha do casal, de 10 anos, foi baleada. Segundo o boletim de ocorrência, o crime aconteceu por volta das 15h de quarta-feira (7), em uma clínica localizada na Avenida Pinheiro Machado, no bairro da Vila Belmiro. Na ocasião, Amanda estava no local acompanhada da filha e aparentava comportamento calmo. Minutos depois, Samir chegou ao estabelecimento e permaneceu na recepção com elas. Depois de um curto período, a mulher foi ao banheiro com a filha e, ao retornar, ainda aparentava tranquilidade. Ela, então, afastou-se sozinha e pediu à recepcionista, de forma discreta, que acionasse a polícia, dizendo estar sendo ameaçada. Em seguida, Amanda e a filha se abrigaram na sala do dermatologista, proprietário da clínica, relatando que o marido estava armado e ameaçava matá-la. De imediato, o médico trancou a porta da sala, fez uma barricada com cadeiras e tentou acionar a polícia. O boletim afirma que, quando os PMs chegaram ao local, acreditaram que Samir não estava armado, já que ele teria levantado a blusa e apresentava um temperamento calmo. Os agentes, então, pediram que ele se afastasse da porta para que o médico pudesse abri-la. Quando isso ocorreu, Samir prontamente começou a disparar contra as vítimas. Conforme apurado por A Tribuna, que esteve no local do crime, o autor ainda teria desferido cerca de dez punhaladas contra a mulher. Essa informação, contudo, não consta no BO. O boletim de ocorrência não deixa claro onde estava o armamento sacado pelo sargento da PM, que se rendeu e foi preso em flagrante pelo crime de feminicídio. A arma do crime, uma pistola Glock calibre .40, foi apreendida. De acordo com a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP-SP), o autor do crime foi levado para o Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. Procurada, a defesa do sargento Samir Carvalho informou que não se manifestará neste momento. Filha está fora de perigo Ainda conforme a apuração de A Tribuna, a filha do casal levou um tiro na perna direita, mas o projétil acabou se alojando na perna esquerda. Um segundo disparo acertou o ombro esquerdo da menina. A criança está fora de risco. A Corregedoria Geral da Polícia (CGP) foi chamada para apoio, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi acionado e atestou a morte de Amanda no local. A Santa Casa de Santos, por meio de sua assessoria de comunicação, informou que, por volta das 15h30, deu entrada uma paciente de 10 anos, trazida de resgate, vítima de arma de fogo. A paciente está sendo atendida pela equipe multidisciplinar da emergência neste momento. Sobre o estado de saúde da criança, a Santa Casa disse não ter autorização para prestar informações.