Agressão aconteceu na Escola Estadual Afonso Schmidt, em Cubatão (Reprodução) Um adolescente de 15 anos ficou ferido após ser agredido por colegas de sala de uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Afonso Schmidt, em Cubatão. O episódio de violência aconteceu na manhã de sexta-feira (28), após o adolescente ter perguntado as horas para uma colega. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! À reportagem de A Tribuna, a técnica em segurança do trabalho Rosana Aparecida Rezende, madrasta do estudante, contou nesta segunda-feira (1º) que a agressão aconteceu porque, ao fazer a pergunta, ele teria tocado na perna de uma colega para chamar sua atenção, enquanto os dois estavam sentados próximo, o que teria revoltado outro colega, que seria namorado da garota. A madrasta ressaltou que não houve maldade do estudante, descrito por ela como alguém inocente, ao tocar na colega. “O menino é super quieto, só sai da igreja para casa. Sabemos como são adolescentes de 15 anos, mas ele não é desse jeito”, disse. Ainda de acordo com Rosana, seu enteado é aluno da unidade há cerca de dois meses e, desde então, tem sido perseguido por colegas. “Acho que ele não foi aceito na escola. Ele é muito humilde, muito calado, então começaram a chamar ele de ‘chatinho’”. Agressão Após a confusão inicial, estudantes fizeram uma roda em torno do estudante e começaram a agredi-lo com socos. Ao menos três estudantes, que já foram identificados, participaram da agressão. “Foi tipo o vídeo do menino Carlinhos, de Praia Grande”, disse a madrasta, fazendo alusão a um vídeo que mostrava agressões cometidas contra o jovem Carlos Teixeira Gomes Ferreira Nazara, de 13 anos, morto após um episódio de violência em uma escola estadual em Praia Grande. A violência só parou quando uma funcionária da escola interveio e separou a briga. O adolescente, que foi acolhido por essa funcionária, ficou ferido. Rosana contou que ele ficou com hematomas, inchaço na cabeça, além de machucados na boca. Os estudantes, então, foram mandados de volta à sala de aula. Os responsáveis pelos alunos, por sua vez, foram chamados à unidade de ensino pela direção. Segundo a madrasta, houve omissão da direção ao lidar com o ocorrido. “Ninguém chamou a viatura (da Polícia Militar), não chamaram ninguém na escola [...] e o diretor, que discutiu com meu esposo (pai da vítima), ficou querendo ‘passar pano’ para os alunos”, protestou Rosana. Ela, então, levou o adolescente a um hospital particular na cidade e, em seguida, foi à Delegacia de Polícia de Cubatão para registrar um boletim de ocorrência. A Tribuna procurou a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP), que, em nota, informou que o pai da vítima compareceu ao 1º Distrito Policial (DP) de Cubatão para fazer o registro do caso, que foi cadastrado como lesão corporal. Ainda segundo a pasta, a Polícia Civil requisitou exame do Instituto Médico Legal (IML) para a vítima e “realiza diligências para esclarecer todas as circunstâncias dos fatos”. Seduc-SP Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) disse ser contra qualquer tipo de violência, dentro ou fora da unidade escolar. A pasta afirmou que, ao perceber o ocorrido, uma funcionária agiu para separar a briga e acolher a vítima. Em seguida, os responsáveis de todos os envolvidos foram chamados para “uma reunião sobre as medidas disciplinares adotadas”. Ainda de acordo com a pasta, o caso foi inserido no aplicativo do Programa de Melhoria de Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP). Nesta segunda-feira (1º), a equipe do programa está na unidade para “realizar uma mediação, a fim de promover a cultura de paz e o respeito ao próximo”. Além disso, a secretaria comunicou que um profissional do programa Psicólogos nas Escolas também está disponível para atender os estudantes. Por fim, a Seduc-SP afirmou que a Diretoria de Ensino de Santos e a unidade de ensino estão à disposição da comunidade escolar para mais esclarecimentos. Violência em escolas estaduais Este é mais um caso de violência em escolas estaduais na Baixada Santista em 2024. O com maior repercussão aconteceu em Praia Grande, na Escola Estadual Júlio Pardo Couto. O jovem Carlos Teixeira Gomes Ferreira Nazara, o Carlinhos, de 13 anos, morreu em 16 de abril em decorrência de uma broncopneumonia bilateral, que é uma inflamação no pulmão, e celulite no cotovelo esquerdo. Dias antes, no dia 9 de abril, dois alunos pularam nas costas de Carlos, que reclamava das perseguições que sofria na escola, o que motivou a direção a chamar os pais na unidade de ensino no dia 21 de março, após ele ser agredido no banheiro do local, conhecido como “banheiro da morte”. O caso é investigado pelo 1º Distrito Policial (DP) de Praia Grande. Segundo a SSP, a Polícia Civil solicitou exame necroscópico para identificar se as agressões sofridas pelo adolescente levaram à morte dele. Em 18 de junho, outro episódio de violência nas dependências de uma escola estadual foi noticiado por A Tribuna. Este aconteceu em São Vicente, na Escola Estadual Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho, no Jardim Rio Branco. Na ocasião, uma adolescente de 13 anos ficou ferida após se envolver em uma briga com uma aluna de 15, além da irmã, de 18 anos, e a mãe da colega. Na ocasião, a Polícia Militar (PM) foi chamada e as jovens de 13 e 15 anos foram, acompanhadas de seus responsáveis, até a Delegacia de São Vicente. O caso foi registrado como lesão corporal.