(Reprodução/Pixabay) Um estudo publicado na revista Environmental Science & Technology Letters acendeu um alerta nos Estados Unidos: as pulseiras de smartwatches podem representar um risco à saúde. A pesquisa revela que esses acessórios contêm níveis elevados de PFAS, um grupo de compostos químicos conhecidos por serem prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente. Entre as marcas avaliadas estão Apple, Fitbit e Samsung. Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos desenvolveram um portfólio com o objetivo de identificar os tipos de câncer associados às PFAS. Esses estudos são inovadores por sua avaliação direta da exposição usando amostras de soro armazenadas, bem como pela avaliação dos riscos em diferentes níveis de exposição, desde a exposição ocupacional até os níveis encontrados na população geral ou entre militares, conforme divulgado. Pulseiras mais caras têm maior concentração de PFAS Realizado pela Universidade de Notre Dame, o estudo destacou que as pulseiras de smartwatches mais caras (com preço acima de US\$ 30) possuem entre 50% e 90% de PFAS em sua composição. Embora as fabricantes tenham sido mencionadas, os pesquisadores não divulgaram os modelos ou produtos específicos analisados. Por outro lado, pulseiras mais baratas apresentaram baixos níveis ou nenhuma presença do composto químico. Em uma das amostras, foi identificado o PFHxA, uma das mais de 14 mil variantes de PFAS, em concentrações superiores a mil partes por bilhão. De acordo com o coautor do estudo, Graham Peaslee, essa quantidade é significativamente maior do que a encontrada em outros produtos de consumo. Segundo o Tecnoblog, o PFAS é amplamente utilizado em materiais impermeáveis, como o Teflon, para repelir líquidos. No caso das pulseiras fitness, essa propriedade auxilia no uso durante atividades físicas, evitando que o suor ou a água interfiram no acessório. Os perigos do PFAS para a saúde Apesar de sua utilidade, o PFAS traz riscos graves à saúde. Segundo a Agência Europeia de Meio Ambiente, esses compostos podem impactar a tireoide, o fígado e aumentar a probabilidade de desenvolvimento de certos tipos de câncer. Além disso, representam perigos específicos para gestantes, incluindo maior risco de aborto, hipertensão e prolongamento do tempo gestacional. Para os fetos, os efeitos incluem baixo peso ao nascer, puberdade precoce e maior propensão à obesidade. A exposição ao PFAS pode ocorrer pela absorção do composto pela pele, especialmente quando o acessório entra em contato direto durante o uso prolongado. Estudos, como um publicado na revista Environment International, indicam que pelo menos 20 tipos de PFAS podem ser absorvidos pela pele e atingir a corrente sanguínea. Essa contaminação pode ser agravada pela prática de atividades físicas, já que o suor facilita a entrada do composto nos poros. Embora ainda existam poucos estudos sobre a absorção de PFAS pelo suor, a preocupação aumenta devido ao uso contínuo desses acessórios. Impacto ambiental do PFAS Além dos riscos à saúde, o PFAS é conhecido como um “químico eterno” por sua resistência à degradação no ambiente e no organismo humano. Fragmentos de pulseiras que contêm o composto podem se transformar em microplásticos, contaminando o solo, a água e até mesmo organismos marinhos. Relatórios já identificam PFAS em peixes, água potável e ar em diversas regiões do mundo. Diante dessas descobertas, especialistas reforçam a importância de novas pesquisas e regulamentações para reduzir a exposição ao PFAS em produtos de consumo, como as pulseiras de smartwatches.