O período pré-chegada do furacão Milton (Reprodução/José Henrique e Reprodução/Keyte Barone) Tensão, medo e apreensão. Esses sentimentos pairam sob a mente de santistas que estão nos Estados Unidos na noite desta quarta-feira (9), horas antes da passagem do furacão Milton. A tempestade deve atingir a região de Tampa, que já foi evacuada, e deixou todo o estado da Flórida em alerta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O furacão Milton já é considerado uma das maiores tempestades registradas pelo Centro Nacional de Furacões (NHC) em toda a história, afinal Tampa não é impactada por um furacão há mais de 100 anos, mas autoridades avisaram que este pode ser "o pior furacão de suas vidas". Santistas O santista José Henrique dos Santos Júnior, de 52 anos, mora há cerca de 12 anos em Davenport, área rural da Flórida. Com pouco mais de 13 mil habitantes, a recomendação para os moradores é que não saiam de casa. “É a primeira vez nesses últimos 12 anos que a gente pega um furacão nessa proporção. Neste momento, a gente (José e família) está em casa, porque não é recomendado sair. Estamos com chuvas fortes em pontos isolados assim e até agora houve 78 tornados pela área, então é perigoso”, comenta. José retrata um cenário diferente de tudo que já viu no Brasil. Mercados estão vazios, principalmente água, comidas enlatadas e papel higiênico. Os postos de gasolina estão zerados de combustíveis. Os hotéis estão completamente lotados de moradores de Tampa, que tiveram que evacuar a cidade. Como a população foi alertada com uma semana de antecedência da formação do furacão Milton, o santista se preparou estocando alimentos, vedando janelas e abastecendo geradores, para caso falte luz. Toda movimentação é constantemente informada por alertas que a população recebe do governo pelo celular. “Tudo é monitorado e, sobre qualquer tipo de avanço, eles vão te informando. Hoje foram quatro alertas.” Em Santos José está com a esposa, filha, nora e três animais de estimação dentro de casa. Neste momento, relembra da vida na Baixada Santista. “A gente lembra que como é morar em Santos, que não existe esse tipo de problema, mas ao mesmo tempo, a gente sabe que tem um suporte muito grande da Defesa Civil e do governo.” Sacos de areia são aliados Quase 100 mil pessoas moram em Boca Ratton, cidade litorânea localizada no estado americano da Flórida, no condado de Palm Beach. Por seu nível mais baixo em relação ao mar, há risco de grandes enchentes pelo município durante a passagem do furacão Milton em Tampa. Em Boca Ratton mora a santista Keyte Barone Saidel, de 49 anos. Ela garante que o governo está dando suporte e sacos de areia foram distribuídos para que os moradores espalhem pela porta para tentar conter enchentes de invadirem as casas de forma drástica. "O furacão vai passar a duas horas de mim" “O furacão vai passar a duas horas de mim, mais ou menos umas quarenta milhas de distância. Por enquanto, está ventando um pouquinho e a chuva ainda não começou. Está tranquilo por enquanto, a gente tem água, comprou as coisas e está tudo organizado, como o gerador”, ressalta. Mesmo um pouco mais distante, a recomendação por Boca Ratton também é que a população não saia de casa. Por conta disso, os mercados estão com as prateleiras vazias. “Não tem mais água. Papel higiênico sumiu das prateleiras, eu não entendo o porquê. Não tem mais sacos de salgadinho e aquelas comidas enlatadas.” Moradora dos Estados Unidos há oito anos, Keyte também acompanhou a passagem do furacão Matthew, que, por coincidência, aconteceu no dia 9 de outubro de 2016. “Quando você vai ao supermercado e vê aquelas prateleiras vazias, todo mundo comprando e colocando aquelas madeiras nas janelas, protegendo os vidros, é assustador.” Os mercados ficaram cheios e as prateleiras vazias (Arquivo Pessoal/Leila Freitas) O papel higiênico é sempre um dos primeiros itens a serem esgotados durante o período que antecede uma tempestade. A psicóloga Yasmin Calheiras justifica que é um comportamento de pânico, em que a pessoa precisa ter os itens de sobrevivência urgentemente. "Ela acha que precisa. Além de ter o comportamento em massa, em que se uma pessoa é vista comprando papel higiênico, as outras vão atrás achando que pode acabar, já que todos estão fazendo isso." Na ‘borda’ do furacão A santista Leila Freitas, de 39 anos, mora há quase três anos em Miami, no extremo sudeste da Flórida. Para ela, a situação parece mais estarrecedora para quem está acompanhando de fora, pois a população se preparou antes da chegada do furacão Milton e está tomando todas as precauções necessárias. Freitas também explica que, como Miami está na borda do estado, é esperado que os efeitos da tempestade tragam ventos fortes e muita chuva. “A gente tem muitos alertas de furacão. Nenhum passou diretamente aqui pelo pelo sul de Miami, mas todos eles causaram algum estrago. Eu mesma acabei de perder um carro por conta de uma consequência de um furacão que causou muitos alagamentos aqui.” Situação Segundo a CNN, há previsão de que a tempestade cresça em tamanho. Chegando à categoria 5 devido ao recorde de calor nas águas do Golfo do México, o furacão atualmente está na categoria 3. A área metropolitana ao redor da baía inclui as cidades de Tampa, St. Petersburg e Clearwater, e abriga cerca de 3 milhões de pessoas. Além disso, o furacão pode provocar ondas de 3 a 4,5 metros e ventos que podem passar de 200 km/h, além de chuvas fortes e inundações. O alerta fez com que 51 dos 67 condados da Flórida estivessem em estado de emergência, decretado pelo governador Ron DeSantis.