Você pagaria até R\$ 1,8 milhão em um carro de 1985? Em um primeiro momento, o preço parece elevado demais para um produto de 40 anos atrás. Mas, e se você soubesse que um Mercedes-Benz 190E 2.3-16 a esse valor pertenceu a Ayrton Senna e tem a assinatura de Niki Lauda no motor? Para muitos fãs de Fórmula 1, o veículo ganha ares de relíquia e é nisso que a empresa de leilões de carros RM Sotheby’s aposta para o leilão programado para o dia 1º de novembro, em Londres. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Mercedes-Benz em questão é um sedã esportivo especial e com uma rica história que o envolve. Após vencer a edição de 1984 do Race of Champions, no circuito alemão de Nürburgring com um modelo de turismo levemente preparado para competição, Ayrton Senna decidiu querer um 190E 2 3-16 só para ele. Esse é justamente o carro que agora estará à venda em Londres e deve alcançar um valor próximo a três vezes o preço de três Mercedes-Benz Classe S novos, por exemplo. O carro que Senna pilotou na vitória estava pintado na cor Smoke Silver Metallic, a mesma escolhida para o seu próprio 190E. O estado de conservação impressiona, do limpador de farol ao discreto aerofólio traseiro. Em relação aos 190 convencionais, a versão 16 válvulas oferecia direção mais direta, coeficiente aerodinâmico reduzido e outras melhorias técnicas. (Divulgação/OTOS RM Sotheby’s) Dois anos Senna retirou o carro em outubro de 1985 e o levou até sua residência na Inglaterra, acompanhado do amigo e também piloto Maurício Gugelmin. Ele permaneceu com o sedã por dois anos, rodando 40 mil quilômetros até vendê-lo ao se mudar para Mônaco, antes de assinar com a McLaren. Depois de passar por outros proprietários, o odômetro já acumula 248 mil quilômetros, mas sempre com manutenção criteriosa. Há registros de serviço desde a época em que o brasileiro era dono do carro, além de toda a documentação original da compra de fábrica. O interior segue impecável, com o banco do motorista praticamente sem sinais de uso. Predominantemente em preto, traz detalhes em madeira no entorno da alavanca de câmbio manual. Curiosamente, o carro conta com bancos dianteiros elétricos, mas vidros traseiros de acionamento manual. O ar-condicionado existe, mas foi desativado quando o veículo foi levado para a Austrália, em função da legislação local, podendo ser reativado (Divulgação/OTOS RM Sotheby’s) Mecânica da Cosworth O motor 2.3 litros de quatro cilindros, desenvolvido em parceria com a Cosworth a partir do bloco M102, entrega 185 cv na configuração europeia, número superior ao modelo vendido nos EUA. Com câmbio manual de cinco marchas, o sedã acelerava de 0 a 96 km/h em cerca de oito segundos. Com herança esportiva comprovada e estilo atemporal, o 190E 2 3-16 se consolidou como clássico. Este exemplar, por ter pertencido a Senna e ter a assinatura de Lauda no motor, é ainda mais valioso e por isso pode chegar ao valor de R\$ 1,8 milhão. Apesar de não ser perfeito, já que a alavanca “dog-leg” (com primeira marcha abaixo, à esquerda) não era das mais precisas e a manutenção exigir mais cuidado que nos 190 comuns, este carro recebeu atenção exemplar ao longo das décadas. Por isso, seu futuro comprador terá em mãos não apenas uma peça de coleção, mas também um verdadeiro ícone da história do automobilismo. (Divulgação/OTOS RM Sotheby’s)