O mais vendido neste ano é o BYD Dolphin Mini: 15.003 unidades, sendo que 2.169 em setembro (Divulgação/BYD) A quantidade de carros eletrificados (híbridos e elétricos) nas ruas cresce a cada dia. Os números provam. De acordo com a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), 138.581 veículos deste tipo foram emplacados entre janeiro e outubro deste ano, contra 67.047 no mesmo período do ano passado. Para se ter uma ideia, foram 126.513 emplacamentos de eletrificados entre 2012 e 2022. Ou seja, o Brasil vendeu mais automóveis com essa tecnologia nos últimos 10 meses do que em uma década. O mais vendido neste ano é o BYD Dolphin Mini: 15.003 unidades, sendo 2.169 delas só em setembro. “Em outubro de 2024, foram vendidos 248.005 veículos no Brasil, entre automóveis e comerciais leves, dos quais 16.033 foram eletrificados, o que dá uma participação de 6,46%”, exemplifica o responsável pela Power2Go na Baixada Santista, Leonardo Rezende. A empresa comercializa e instala carregadores elétricos. Atualmente, até o preço deixou de ser uma barreira. “Quando comparado com carros à combustão com a mesma potência e tecnologia, o carro elétrico, principalmente os chineses, são bastante competitivos. Para quem busca algo mais em conta, existem veículos elétricos no Brasil a partir de R\$ 115 mil”, afirma. Caminho sem volta As vendas dos veículos eletrificados tendem a aumentar no Brasil no longo prazo como no resto do mundo. “É um caminho sem volta. O pico de vendas globais de carros a 100% combustão foi atingido em 2017. De lá para cá, as vendas dos modelos a combustão vem caindo, e os eletrificados tomando seu lugar. No Brasil, ainda estamos engatinhando, mas o crescimento nas vendas mostra a tendência”, afirma Rezende. Carregador: como funciona O carregador de carros elétricos funciona como uma fonte de energia. “Importante explicar que nossa energia comum em casa é sempre em corrente alternada, porém, as baterias usam corrente contínua”, observa Leonardo Rezende. Os carregadores de carros alimentam o automóvel com corrente alternada. “No carro, existe um equipamento chamado inversor de frequência, que converte a corrente alternada em contínua para poder injetar na bateria.” Como há diferentes tamanhos e potências de inversores de frequências, o carregador sempre se “comunica” com o carro antes de iniciar a carga para “saber” qual potência ou corrente usar. A autonomia é medida pelo tamanho da bateria e, como nos modelos a combustão, a forma de dirigi-lo também influencia. “De forma geral, carros 100% elétricos possuem baterias maiores, inversores e motores elétricos maiores do que os chamados híbridos, uma vez que elas (as dos totalmente elétricos) não precisam compartilhar o espaço com tanque de combustível e motor a combustão.” A capacidade de carga das baterias é medida em kWh (quilowatt-hora). Cada automóvel a combustão tem um nível de consumo de combustível, também dependendo da potência do motor e do motorista. “Há carros com bateria de 40 kWh que rodam 270 quilômetros (km), o que dá aproximadamente 6,75 km por kWh”, exemplifica. “Em linhas gerais, podemos dizer que o consumo é de três a seis km/kWh. As baterias dos carros híbridos vão de dez a 30 kWh, e as dos elétricos, de 40 a 100 kWh.”, detalha. Vantagens Economia com combustível: em média, o custo com energia elétrica de um carro elétrico é de aproximadamente 20% do custo de combustível em um automóvel à combustão; Manutenção, em geral, é bem mais barata, pois as revisões são menos frequentes e a quantidade de componentes em um carro elétrico é bem menor do que em um veículo a combustão; O carro elétrico não polui, ainda mais no Brasil, onde a matriz energética é essencialmente limpa, e é bastante silencioso, o que causa conforto adicional ao usuário. Desvantagens Infraestrutura de carregamento: o carro elétrico é extremamente conveniente para quem consegue carregar em casa e utiliza no dia a dia dentro da cidade. Já para quem não tem essa possibilidade de carregar na residência, a coisa se torna um pouco menos conveniente, pois fica dependente da infraestrutura pública ou semipública. Essa mesma dificuldade é encontrada nos casos dos usuários que fazem viagens longas com o automóvel elétrico, pois o tempo de recarga pode ser longo dependendo do tipo de carregador utilizado; Recentemente, houve desvalorização dos carros elétricos causada pela chegada de novas gerações. A chegada dos chineses nos últimos dois anos no Brasil causou o reposicionamento de preços de outras marcas para conseguir competir com as novas gerações e causaram uma queda brusca nos valores dos usados. A nova geração não foi afetada e os veículos tem desvalorização similar aos carros a combustão. “Apesar de ter sido um evento pontual, não descarto a possibilidade de ocorrer novamente daqui uns anos com a chegada dá próxima geração provavelmente mais competitiva, com mais tecnologia e com maior autonomia”, opina Leonardo Rezende.