[[legacy_image_226762]] A escola onde seu filho estuda atende seus objetivos, valores e expectativas? Está alinhada às características e necessidades da criança? Foi-se o tempo em que a estrutura física e o investimento financeiro eram os principais aspectos a serem observados na busca por uma instituição de ensino. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Hoje, o foco está nas técnicas, que tornam o local mais humanizado, voltado para Exatas, com prioridade na competitividade ou com abordagem na ampliação cultural. Não faltam possibilidades. Mas restam dúvidas. Então, para começar, vale a pena se questionar: você sabe o significado de métodos de ensino, a base do planejamento das escolas atuais? Segundo a psicopedagoga, neuropsicóloga e orientadora parental Larissa Fonseca, os métodos de ensino podem ser definidos como os “fios condutores” que norteiam as ações tomadas pela escola em direção aos objetivos de aprendizagem. “Eles definem as abordagens pedagógicas e a maneira pela qual a instituição organiza propostas educativas para atingir as metas de conhecimento dos alunos”, diz a escritora do livro Dúvidas de Mãe. Peculiaridades DE CADA UM E se as novas gerações apresentam cada vez mais peculiaridades, também não faltam opções para contemplar os diferentes perfis de crianças e adolescentes. Tradicional, Waldorf, Construtivista, Montessori, Pragmatismo, Freinet e Freiriano. Esses são os métodos mais conhecidos. Mas o cenário é amplo e abrange, ainda, os chamados de metodologias ativas e PBL (Aprendizagens Baseadas em Projetos). “Hoje, dificilmente uma instituição utiliza apenas um método. As escolas têm um norte e trazem contribuições de mais de uma metodologia para as propostas do seu dia a dia”, enfatiza Larissa Fonseca, que também é especialista em educação, comportamento e desenvolvimento infantil e de adolescentes. Em linhas gerais, explica ela, o ensino tradicional tem o aluno como passivo no processo de aprendizagem, ou seja, acredita-se na transmissão de conteúdo dos professores para o estudante. Já o Construtivismo (teoria criada por Jean Piaget) parte do princípio de que as crianças são ativas no processo, construindo seus conhecimentos a partir das experiências vivenciadas e das suas descobertas, feitas pelo contato com o mundo e com os objetos. O Montessori (elaborado pela médica Maria Montessori) é fundamentado na estimulação por meio da manipulação de objetos. “A médica criou o material educativo a partir do qual a criança explora e realiza diversas tarefas (pré-organizadas pelos educadores) de forma livre, gerando, assim, suas aprendizagens”. A pedagogia Waldorf é uma linha antroposófica, criada a partir das ideias do filósofo alemão Rudolf Steiner, que busca o desenvolvimento nos diferentes aspectos, incluindo físico, social, individual e espiritual. Em vez de serem divididos por séries, os alunos acabam separados segundo a faixa etária, não havendo repetência. O ensino inclui artes e até marcenaria. Já a linha denominada Pragmatismo foi elaborada no início do século pelo educador norte-americano John Dewey. Privilegia a resolução de problemas e a Ciência aplicada. Nas instituições que colocam em prática conceitos de Freinet, o aprendizado acontece por meio do trabalho e da cooperação, além de estudos de campo, debates e produções em geral. “A proposta é que a criança seja incentivada a compartilhar suas produções com os colegas dentro e fora da escola. Além disso, as avaliações consideram o progresso em comparação com seu desempenho anterior e não em relação com os demais”, diz Larissa. A metodologia Freiriana é também conhecida como Educação Libertadora. Sua proposta é a de estimular o pensamento crítico e o desenvolvimento cognitivo a partir de aspectos próprios da vida do aluno. E as metodologias ativas consistem em atividades nas quais os estudantes desenvolvem maior autonomia, sem interferência direta. “Eles podem, inclusive, fazer pesquisas e trazer conhecimentos sobre os temas antes mesmo de serem abordados na escola”. A Aprendizagens Baseadas em Projetos (PBL) está bastante presente também nas metodologias. “Incentiva a interação e o trabalho coletivo para atingir os objetivos do ensino”, completa Larissa. Prioridade Diante da influência dos métodos de ensino na rotina escolar, não há a possibilidade de os pais ignorarem o direcionamento adotado pelo colégio. Até porque, explica Larissa, é baseado nele que a escola organiza as aulas, avaliações, interações, professores, materiais e as diversas propostas de ensino e aprendizagens. “Dificilmente um aluno que se dispersa facilmente, que em casa não tem tanta disciplina ou cobrança vai se adaptar a uma escola que segue um método de ensino mais tradicional, assim como para um aluno que tem pouco convívio social, talvez valha a pena frequentar uma escola com mais colegas por sala para ampliar contatos e vivências sociais”. A especialista deixa claro que a escolha dos responsáveis deve abranger aspectos amplos ligados também ao dia a dia da família, estilo de vida e convívio social. Nesse contexto, é importante averiguar questões práticas, como localização, gastos gerais, o que vai além da anuidade (mensalidades, materiais, passeios etc.); característica/personalidade/necessidade do filho; valores e dinâmicas familiares (evitar buscar a escola só porque está bem conceituada em rankings ou porque o amigo colocou o filho e gostou) e, além disso, levar em consideração a opinião do estudante. “É sempre importante a família escolher bem o local em que a criança passará grande parte da sua vida, desenvolverá suas habilidades e seu conhecimento sobre o mundo. Se, em determinado momento, a família entender que a escola escolhida não está mais atendendo às expectativas, se a criança não está evoluindo ou precisa de um outro tipo de abordagem para aprender melhor, se outras questões da instituição estiverem em desacordo ou até mesmo se a família optar por oferecer uma vivência diferente para os filhos, é indicado que aconteça a mudança de colégio”. Estratégias importantes No Colégio Objetivo, a metodologia é a ativa, priorizando a experimentação e o desenrolar do cotidiano do aluno. Dessa forma, a escola oportuniza a aplicação do conhecimento nas implicações dos acontecimentos da atualidade. “Trata-se de uma estratégia para dar oportunidade ao aluno de vivenciar situações-problema e, na tentativa e erro, ele utiliza o raciocínio lógico para as soluções”, destaca a diretora pedagógica do Fundamental II, Maria Dolores Alvarez. Uma atividade na cozinha envolve a leitura de uma receita, o cálculo das quantidades utilizadas, a transformação dos ingredientes quando misturados, a ação do calor (forno) e do fermento na massa, e o produto final. Isso significa a aplicação de diversas áreas do conhecimento, como a Matemática e a Química. “Fatos corriqueiros podem servir de base para atividades planejadas”, diz Dolores. Conjunto de fatores A escolha do método pelas famílias, aponta a diretora, está aliada ao material didático, à excelência dos professores e aos valores preservados e enaltecidos no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. “Com a metodologia ativa inovadora e estratégia diferenciada, os objetivos são adequados às necessidades. O respeito às múltiplas inteligências facilita o direcionamento”, acrescenta. Etapas No Novo Tempo, o método sociointeracionista é aplicado nas abordagens dos conteúdos pedagógicos, relacionando a teoria e a prática. Nos quartos anos, por exemplo, é abordado, primeiramente, o conceito com jogos e vivências. Os livros são utilizados em uma segunda etapa. “Observamos a escolha do método como fundamental para conectarmos os conteúdos, ao mesmo tempo em que os aprendizados são significativos para os alunos”, explica a coordenadora do Fundamental I, Maria Inês Santos Raposo Medeiros Coelho. No entanto, apesar de trabalhar com o sociointeracionismo, a escola acompanha o desenvolvimento do aluno de forma a entender as necessidades de cada um e levar aos pais informações sobre possíveis mudanças ou adaptações. “Nos primeiros anos do Fundamental I, há alguns que necessitam da repetição dos conteúdos (método tradicional) e, dessa forma, após atendimentos aos familiares, chegamos a essa conclusão”. O que considerar no momento da procura: Elencar quais são os valores e a educação que pretende dar ao filho e averiguar se a escola segue e reforça essas expectativas; Os valores do colégio e a linha que a instituição segue na educação dos alunos devem estar de acordo com os princípios da família; É fundamental verificar a formação dos profissionais da escola, observar a adequação dos recursos pedagógicos (livros, materiais didáticos etc.); Ver a estrutura e os espaços da escola (disposição e adequação dos móveis e materiais, limpeza, segurança, laboratórios); Conhecer a proposta pedagógica, filosofia e métodos de ensino da escola e averiguar se, na prática, isso é aplicado; Verificar se o colégio promove reuniões pedagógicas, cursos e propostas de formação continuada para os seus profissionais; Visitar a escola em um dia de aula para ver se, na prática, aquilo que foi apresentado funciona (peça para observar uma turma “em ação” e ver atividades e projetos realizados pelas turmas); Verificar se na unidade há atividades de valorização da cultura nacional e responsabilidade social; Averiguar e conhecer como e quando a escola faz a avaliação dos alunos, além de qual é e como é a participação dos pais no colégio.