[[legacy_image_226749]] Uma pesquisa realizada pela consultoria de inteligência educacional Vozes da Educação, em parceria com a organização não governamental Conectando Saberes, revelou que os educadores do futuro precisarão desenvolver um grupo variado de competências, que vão desde habilidades relacionais e de liderança, passando por questões de compreensão sistêmica do universo em que estão inseridos e indo até à mediação e resolução de conflitos. Essas competências, embora complexas, já são desenvolvidas ao redor do mundo, como na Austrália e em Singapura. O estudo foi desenvolvido em 11 países. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Verificamos a existência de um processo avaliativo da postura do professor e que a escola é um lugar particular, onde não só se ensina o currículo, e isso não está voltado apenas ao que os alunos aprendem. É fundamental conhecer o que eles aprendem e como aprendem, ter engajamento profissional, gostar da profissão, ver sentido nela e esse é um desafio para os docentes e para os gestores públicos fazerem uma reforma da carreira e inserirem mais o professor em todo o contexto”, destaca a diretora da Conectando Saberes, Paolla Vieira. Segundo ela, 73% dos países que participaram do questionário tinham mentoria no início das carreiras. Isso significa conhecer a sala de aula antes mesmo de começar o trabalho de professor. Ela compara a iniciativa à residência de um médico. “Isso gera um impacto muito grande na educação que esperamos para os nossos estudantes. Não dá mais para ser nesse formato que é hoje. O curso de Pedagogia é o que mais tem acesso de EaD (Ensino a Distância). Além disso, possui a nota de corte mais baixa no vestibular e é o mais barato; consequentemente, acaba se tornando mais acessível. É primordial olhar como estamos tratando a carreira docente no Brasil e quais as forças de transformação desse mercado”, afirma Paolla. Assim como as demais profissões, a diretora observa que os professores também precisam se atualizar, inovar nos métodos e, sobretudo, entender o novo perfil do estudante. De acordo com Paolla, a educação precisa de professores adaptados a fazer com que os alunos acreditem no seu potencial de transformação. E os docentes também devem acreditar nesse potencial que eles têm. “É uma geração muito diferente. São alunos mais críticos, mais criativos, conectados, pensando em carreiras e profissões que não conhecíamos há cinco anos. Independentemente da escola pública ou privada, precisamos formar um cidadão, que vai olhar para o futuro mais sustentável, social. A verdade é que, depois de passar pela pandemia, fomos entender o que faltava para a formação do professor”, diz Paolla, chamando a atenção para outra pesquisa, dessa vez aplicada com foco em desvendar os impactos da crise sanitária da covid-19 no ambiente escolar, e quais obstáculos precisariam ser contornados pelos professores. O estudo foi desenvolvido em 2021 em meio a um cenário de alunos com síndrome do pânico, dificuldade de socialização no retorno ao presencial e lacunas no acesso ao ensino. Afinal, foi um longo período de perda dos benefícios da escola, que, inclusive, para algumas crianças e adolescentes é o único local de fornecimento de alimento. “Vimos um cenário muito diferente olhando para as regiões. Com mais de 9 mil respostas, tínhamos o diagnóstico de quatro lugares em que precisávamos atuar: formação dos professores, reforço escolar, cuidado com a saúde mental e adequação do currículo. Foi com base nisso que começamos a trabalhar”.