[[legacy_image_226763]] Deixar os filhos na escola em período integral já faz parte da rotina de muitas famílias, que encontram no ambiente escolar o respaldo necessário enquanto estão ausentes. No entanto, mais do que permanecer na instituição de ensino por mais tempo, especialistas em educação defendem a consolidação do ensino em tempo integral devido à realização de trabalho intersetorial, cujo objetivo é proporcionar o desenvolvimento completo do aluno. O que vai além do conteúdo programático e do cuidado com o estudante. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Tal projeto busca integração, convívio social, ampliação das habilidades do aluno e a participação da comunidade. Não é sobre substituir a babá pela escola, mas se trata de uma mudança cultural capaz, inclusive, de favorecer uma transformação social. “A educação em tempo integral não deveria ser uma opção, mas uma necessidade. Não existe nenhuma escola na Europa que não seja em período integral. Não é bom somente para jovens e crianças, mas também às famílias, pois acentua a aprendizagem, permite o convívio democrático, faz com que as crianças aprendam a conviver com a diversidade, a se respeitarem durante o almoço, comerem coisas diferentes. Escola é lugar de aprender. Lógico que também há o cuidado, mas não é só isso. Existem muitos outros estímulos”, destaca a diretora-presidente da Comunidade Educativa Cedac, Tereza Perez, diante do atual cenário, formado por muitas escolas brasileiras, onde o ensino integral não é obrigatório, mas uma escolha diante da necessidade dos pais. De acordo com Tereza, a educação em tempo integral permite que a escola trabalhe com todas as dimensões dos estudantes – intelectual, física e cultural. E quando o ensino é desenvolvido em tempo integral, o resultado é ainda mais positivo, pois amplia as possibilidades de atuação junto às crianças e aos adolescentes. Nesse contexto, a diretora ressalta a necessidade de ser observado o projeto político e pedagógico das escolas. “É preciso saber como vai ser aquela educação, como vai acontecer o envolvimento das famílias, como os estudantes podem ser protagonistas do processo de aprendizagem, a avaliação, métodos de ensino. A dinâmica de uma escola quando existe uma equipe integrada, colaborativa, que envolve todos num projeto de educação, tem sucesso muito grande, maior do que quando as pessoas não se sentem pertencentes aquilo”, pontua Tereza. Currículo Em relação ao currículo, o ideal é haver uma integração entre as atividades a serem oferecidas ao longo do período escolar, sem a cisão observada em muitas instituições, onde pela manhã, por exemplo, acontece o pedagógico e, à tarde, a realização de outros trabalhos. “As metodologias ativas partem de um princípio de que, para o aluno trabalhar bastante, deve-se começar pela resolução de problemas, projetos interdisciplinares, despertar o interesse, simulação de situação, pesquisa de campo. Há uma série de possibilidades de metodologias que podem potencializar a atuação interdisciplinar”. Quando se trata da rede pública de ensino, Tereza deixa claro que o interessante é implantar escolas em tempo integral nas áreas mais vulneráveis, pois são os locais onde as crianças e adolescentes mais precisam estar no ambiente escolar para garantia dos seus direitos. Segundo a diretora, a escola mobiliza uma rede de proteção em torno das crianças e adolescentes, sobretudo diante dos altos índices de violência doméstica e trabalho infantil. “Em Recife, houve uma redução de 50% no índice de homicídios com a implantação da escola em tempo integral. É uma forma de oferecer uma vida mais digna”, revela.