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Domingo

22 de Setembro de 2019

Separe as aplicações em duas partes para dormir tranquilo

Juros em queda e crises externas exigem estudo de novas opções

Inflação abaixo de 4% ao ano e taxa Selic de 6% indicam ao investidor rentabilidade mais comedida. O jeito é assumir riscos. Mas como, com a tensão com China x EUA, a crise argentina e até incêndios na Amazônia acelerando o vaivém de aplicações que poderiam dar retorno melhores?

“Por mais que estejamos em um momento mais otimista para a economia brasileira (reformas) ainda estamos sujeitos aos movimentos externos de instabilidade”, afirma o economista da consultoria Magnetis, Daniel Jannuzzi.

Frente à volatilidade, jargão do setor financeiro para a instabilidade das cotações, a recomendação geral é diversificar as aplicações. Jannuzzi sugere ao poupador dividir seus recursos em duas partes. Um de curto prazo e mais seguro, com Tesouro Selic e Fundo DI com taxa de administração baixa). O segundo é de longo prazo e diversificado conforme o perfil de cada um (mais arriscado ou não, por exemplo). 

O curto prazo é voltado aos recursos da reserva do investidor, cobrindo surpresas como multas, acidente no trânsito e medicamentos. Neste caso, as opções mais imediatas são caderneta e fundos DI – ambos podem ser sacados imediatamente. O DI, entretanto, perde para a poupança se tiver taxa de administração muito alta, geralmente aplicada sobre o investidor de menor patrimônio. 

Na tabela de rentabilidade da Magnetis feita para esta reportagem, a caderneta ganha em quase todas as comparações com os fundos DI, de resgate em seis, 12, 18 e 24 meses para taxas de administração de 1% e 2% ao ano. 

Quando o gestor cobra apenas 0,5%, o DI finalmente derrota a poupança. 

Tesouro brilha

Vantajoso mesmo para o curto prazo é o Tesouro Selic, que ganha em todos os períodos de resgate em relação à caderneta e ao DI. Esse papel do Tesouro se chama DI porque será corrigido pela taxa Selic.

Investidores que estão há décadas na caderneta, e não são poucos (Santos tem um dos maiores índices de investidores nessa aplicação, conforme o Banco Central), devem tentar outras aplicações em fatias, acostumando-se com as novidades. “O mais importante é o investidor estar confortável com as aplicações. Caso tenha um perfil mais conservador, é recomendável dar um passo de cada vez”, diz Jannuzzi.

Ele lembra que o Tesouro Selic não tem cobertura do Fundo Garantidor, que é acessado quando um banco quebra. Porém, os títulos públicos são garantidos pelo governo e são tecnicamente mais seguros que qualquer outro investimento.

Carteiras dão maior lucro com segurança

Investir em carteira é uma forma prática de diversificar com uma só tacada. Ela pode ter uma parte conservadora, com títulos públicos e CDBs e outra com ações e até dólar. Ou ainda serem totalmente renda fixa (sem ações e moeda).

A ideia da diversificação, diz o consultor da Magnetis, Daniel Jannuzzi, é buscar o equilíbrio com produtos diferentes, reduzindo o risco ao mesmo tempo em que se tenta um rendimento melhor. 

Para isso, deve-se investir em fundos multimercados, que terão estratégias distintas – uma delas estará focada em bolsa, outra em renda fixa e a terceira em mercados globais. Em resumo, pode-se até perder em um lado, mas o outro tende a cobrir esse prejuízo. 

“É sempre bom manter uma parcela com liquidez, sua reserva de segurança para eventuais emergências, e uma alocação em renda fixa. Afinal, é sempre bom ter uma parcela mais conservadora na carteira”, diz o economista.

Além do investidor ambicionar taxas melhores e ao mesmo tempo diversificar para abrandar o risco, Jannuzzi recomenda uma dose extra de paciência. 

Primeiro porque é preciso poupar religiosamente todo mês, evitando gastos sem planejamento que corroem o valor que será aplicado. Segundo, a paciência mostrará que mesmo com uma taxa sem graça o tempo garantirá uma reserva financeira que será útil para cobrir surpresas ou realizar sonhos, como viagens ou carro novo.