[[legacy_image_158312]] Preocupados com os impactos da guerra na Ucrânia no Brasil, consumidores mudam hábitos e já cogitam deixar o carro de lado, caso o preço dos combustíveis suba muito nas bombas na Baixada Santista - o que deve ocorrer após anúncio de reajuste da Petrobras realizado na manhã desta quinta-feira. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nesta semana, o barril do petróleo no mercado internacional chegou a US\$ 139 (R\$ 696,78), maior patamar em 14 anos - o mercado prevê até US\$ 200 se as tensões continuarem. Além disso, os Estados Unidos anunciaram um boicote às importações de petróleo da Rússia. Atualmente, a Petrobras faz reajustes no mercado interno baseados no mercado internacional e variação do câmbio. Petrobras reajusta preços de gasolina, diesel e gás de cozinha; alta chega a 24%Após quase dois meses com os preços congelados, e em meio a pressões para não trazer a volatilidade do mercado externo para o Brasil, a Petrobras anunciou nesta quinta-feira (10) que vai aumentar a gasolina em 18,7%; o diesel, em 24,9%; e o gás de cozinha em 16%, reduzindo assim a defasagem da estatal em relação ao mercado internacional, que já beirava os 50%. "Após 57 dias, a Petrobras fará ajustes nos preços de gasolina e diesel. E, após 152 dias, a Petrobras ajustará preços de GLP", informou a empresa em nota. Impacto no consumidorMoradora do Quarentenário, em São Vicente, Gidelma Fonseca Santos, de 38 anos, usa o carro diariamente para levar os filhos à escola, que é em Santos. Além disso, ela também é motorista de aplicativos e se disse preocupada com mais um aumento na gasolina. “Estou muito preocupada e não cogito vender o carro. Não tem mais como adotar uma estratégia para economizar, a gente precisa do carro. A diferença é que hoje em dia eu não encho mais o tanque”. O geólogo Marcelo Martinatti, de 47 anos, diminuiu o uso do carro justamente por conta do aumento nos combustíveis. “Tenho usado para percursos estritamente necessários. Fora isso, tenho trocado. Uso bicicleta, caminho e uso ônibus quando possível. É a única forma cabível, para nós, para segurar um pouco os aumentos”. Ele explica que a troca de posto, por exemplo, não é viável. “Se você correr o risco de colocar um combustível ruim, ainda vai pagar o preço da manutenção”. Artigo de luxoO analista de sistemas Alberto Olavo, de 48 anos, também está preocupado. Ele diz achar um “absurdo” que o País, que possui petróleo, acompanhe preços do mercado internacional, deixando o interno à deriva. “Estou diminuindo o uso do veículo. O carro, mais do que nunca, virou mais luxo ainda”, diz. Morador de Cubatão, Alberto Olavo trabalha em Santos. “Fica muito pesado o consumo. Por isso, estou cortando e diminuindo em todos os trajetos possíveis”. A auxiliar de limpeza Viviane de Souza, de 43 anos, também mora em Cubatão. O seu carro já fica na garagem e seus trajetos são feitos de moto até Santos, onde tem dois empregos. Na Cidade, o trajeto entre um trabalho e outro, que é de cerca de 40 minutos, ela faz a pé. “Sinceramente, não sei o que vou fazer. Mesmo com minhas filhas também trabalhando em casa, está pesado. Não sei se vai valer a pena continuar tendo carro”, afirma. Donos de postosSegundo o presidente do Sindicombustíveis-Resan, que representa os empresários donos de postos de gasolina da região, José Camargo Hernandes, há preocupação com a guerra. “Os efeitos desse conflito podem afetar a indústria do petróleo, impactando o setor de combustíveis em escala global. Ainda estão indefinidos os reflexos para o Brasil, que já vem se preocupando com a estrutura do sistema nacional de abastecimento por outros fatores”, diz. Ainda de acordo com Hernandes, a política de preços da Petrobras é o principal alvo das discussões e motivo de observação. “Essa política de paridade internacional tem sido discutida, assim como outras contrapartidas para evitar que isto reflita na bomba. Continuaremos acompanhando os desdobramentos desse assunto para avaliar eventuais impactos para os postos da região”, afirmou.