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Terça-feira

11 de Agosto de 2020

Menos de 20% da ajuda financeira do governo socorreu os empresários brasileiros

Levantamento feito pelo Ministério da Economia indica que apenas R$ 12,1 bilhões foram direcionados em quatro linhas de financiamento

Menos de um a cada cinco reais prometidos pelo governo federal em crédito de programas de auxílio durante a pandemia foi direcionado para socorrer os empresários brasileiros. Dos quase R$ 70 bilhões anunciados pela equipe econômica de Jair Bolsonaro em quatro linhas de financiamento, menos de R$ 12,1 bilhões foram desembolsados pela União. 

Os números fazem parte de um levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo ao Ministério da Economia. Conforme a publicação, apenas 17% de todo o volume prometido para auxiliar os empresários chegou ao destino final.  

Pequenas e médias empresas foram as mais afetadas. Exemplo disso é o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) via Fundo Garantidor de Operações (FGO). Em 10 de junho, o governo anunciou que o recurso estaria disponível nas agências da Caixa Econômica Federal (CEG) e Banco do Brasil (BB).

Contudo, o Ministério da Economia reconhece que apenas 7,5% da capacidade total dessa linha de financiamento já foi direcionado aos pequenos e médios empresários. A pasta justifica o baixo repasse ao pouco tempo de lançamento do programa. 

Esse e outras linhas de financiamento governamentais fazem parte do pacote econômico elaborado para conter os efeitos pandemia da Covid-19 no Brasil. Com o crédito facilitado, empresários brasileiros poderiam manter os empregos e os negócios funcionando, mesmo com as operações reduzidas. 

Contudo, a burocracia e exigências legais impedem que os recursos cheguem ao destinatário final. Em comissão no Congresso Nacional, em 30 de junho, o ministro Paulo Guedes reconheceu que o repasse das linhas de crédito para socorrer as empresas tem sido insatisfatório.

“Tenho a maior franqueza em reconhecer que, na parte de crédito (o desempenho)  não foi satisfatório até o momento. Nós continuamos aperfeiçoando o nosso programa para o dinheiro chegar à ponta, que era a maior reclamação”, disse o ministro, na ocasião.  

Os especialistas da pasta afirmam que o maior gargalo é a atuação das instituições bancárias, visto que o Banco Central (BC) liberou os recursos necessários.  

O presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas  (Sebrae), Carlos Melles, afirma que “não existe apetite para emprestar ao pequeno” empresário, que acaba sendo o mais prejudicado.  

Em contraponto, os bancos argumentam que há grandes riscos na concessão de crédito a empresários que não apresentam garantias suficientes para as operações. 

Sem o recurso prometidos pelo governo federal, a saída para empresários tem sido recorrer a linhas de crédito pré-aprovadas, junto aos bancos tradicionais. Além de maior taxa de juros e prazo mais curtos, essa modalidade esgota os recursos financeiros disponíveis no mercado no começo da crise.  

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