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Sexta-feira

22 de Novembro de 2019

Consignado de familiar é plano B de inadimplente

Dificuldade para dizer não e descontrole dentro de casa podem ampliar calote em família

Isabel atrasou seus pagamentos do Programa de Financiamento Estudantil (Fies), e por estar inadimplente e sem acesso a crédito, pediu ajuda de R$ 2 mil ao cunhado. Já André socorreu a mãe com valor parecido, que de tempos em tempos se descontrola ao comprar sem planejar.

O socorro financeiro a amigos e parentes não é de hoje e já correu solto por meio do “empresta seu cartão de crédito, depois te pago”. Agora, ganhou fôlego e se tornou problema de proporções sérias por meio do consignado alheio. 

Este foi o caso de Isabel e a mãe de André, que utilizaram o consignado de familiares para resolver suas pendências. Por sorte não resultaram em calote para seus credores. 

Entretanto, especialistas indicam que o nome sujo no setor bancário motivado por empréstimo para ajudar terceiros, muitos deles familiares, ajuda a manter nas alturas os índices de inadimplência.

Pesquisa da Serasa Experian divulgada no fim de agosto aponta que 63,4 milhões de brasileiros estão inadimplentes (deixaram de honrar compromissos financeiros) por algum motivo, um recorde dentro da série histórica iniciada em 2016.

Desse total, quase 10 milhões são idosos. Não que essa faixa etária se tornou consumidora voraz e irresponsável. Por terem salário da aposentadoria garantido todo mês, sem risco de demissão, acabam sendo alvo de pedidos de empréstimos de filhos e netos. 

Esses idosos fazem o empréstimo consignado, que é o desconto da prestação direto no benefício. Mas tais aposentados não são reembolsados e, com os holerites encolhidos pelos descontos, passam a se tornar devedores do banco do empréstimo e atrasam contas pessoais, como condomínio. 

Diga não

“Brasileiro tem dificuldade de dizer não”, diz o educador financeiro da SPC Brasil (empresa da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas), José Vignoli.

Segundo ele, quem é alvo de pedido de parente por empréstimo é tomado pela ansiedade. “Sente-se na obrigação de responder rapidamente”. É uma vantagem que o solicitante tem sobre o potencial credor – surpreendido, tal como em um assalto, fica sem jogo de cintura. 

“Por estar despreparado, diz sim ou dá esperança [a quem pede empréstimo]”, afirma Vignoli. Sim ou não, será grande a chance de briga familiar por causa de dinheiro.

Reveja sua compra e escape dos juros

Alguns bancos sugerem ao tomador de empréstimo não comprometer de 25% a 35% da renda com prestações de financiamento. O educador financeiro José Vignoli, entretanto, não gosta de cravar um limite. “Há empréstimos bons e ruins”. 

Ele considera o financiamento da casa própria um bom empréstimo. O mesmo não vale necessariamente para o do carro. 

“Pergunte-se, será que eu posso comprar um carro que me atenda, mas mais simples e com prestações baixas ou eu quero um bacana para impressionar o vizinho”, sugere. 

O consignado, afirma ele, é indicado para trocar uma dívida mais barata por outra mais cara. Por exemplo, contraia R$ 2 mil dessa linha com taxa de 2% ao mês para cobrir R$ 2 mil do cheque especial corrigido por 12% de juros. 

O problema é que o consignado pode passar a ser visto como uma renda complementar. Por ser fácil de ser contraído, um mesmo trabalhador faz vários empréstimos pequenos cujas prestações vão se avolumando – o efeito prático é de “encolhimento” do salário, pois os pagamentos mensais são debitados automaticamente dele. 

De acordo com o educador financeiro, o consignado é um empréstimo mais barato, mas sua taxa ainda é elevada, reflexo dos juros altos dos bancos que não caem ao ritmo da Selic. 

Vignoli diz que o consignado pode ser contratado só em último caso e mediante muito planejamento. 

O risco, afirma ele, é que ao considerar o consignado parte da renda convencional, o tomador de empréstimo está se acostumando a um estilo de vida que não é o dele, inclusive “usando o dinheiro do crédito de seus parentes”.

Saia do vermelho

Anote tudo: você pode usar um aplicativo de telefone, uma planilha do computador ou mesmo um caderno. Assim, saberá exatamente para onde o seu dinheiro está indo. 

Organize o orçamento: anote as receitas (salários e qualquer entrada de dinheiro) e as despesas (das contas tradicionais e prestações a gastos no final de semana, mesmo que estimados). Calcule a diferença. Se ficar no vermelho, comece a ver o que pode ser cortado.

Priorize seus gastos: não esqueça que todo mês existem gastos não-variáveis, como as contas e impostos. Por isso, se organize para pagar essas contas e priorize aquilo que é necessário para seu mês.

Negocie com os credores: com o orçamento calculado, procure os seus credores. Com dinheiro na mão é mais fácil negociar e conseguir desconto. Consulte as empresas de proteção ao crédito, como Serasa Experian, SPC Brasil e Boa Vista, para se informar sobre como negociar suas dívidas. O Serasa Limpa Nome permite negociar direto com credores. 

Fonte: Serasa Experian

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