[[legacy_image_356672]] Dono do segundo mercado consumidor de café do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, o Brasil registrou, entre novembro de 2022 e outubro de 2023, aumento no consumo da bebida de 1,64% em relação ao período anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Uma parcela desse montante está nos tipos como o gourmet e o especial, que provocaram um aumento na participação das vendas no ano passado. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, houve um acréscimo nas vendas do tipo superior de 3,85% e, no gourmet, de 2,79%, comparando o primeiro trimestre de 2024 com igual período do ano passado. “Já o especial cresceu menos de 1%, mas houve crescimento. Isso demonstra o quanto o consumidor é ávido em apreciar novos sabores e conhecer novos aromas”. Tomar um café de qualidade superior, ainda que custando um pouco mais caro, não é mais um problema para um segmento dos consumidores. O preço do quilo do tipo gourmet chegou a R\$ 81,29 em junho do ano passado, mas fechou 2023 em R\$ 72,34. Já o especial encerrou 2023 custando R\$ 105,69. “Na medida que o consumidor começa a ficar mais exigente, ele quer experimentar novos sabores e entendendo um pouco mais dos atributos do café”, afirma o diretor-executivo. Gosto diferenciadoMestre de torra da cafeteria que funciona no Museu do Café, Ariel Cauê dos Santos Ucmar, o especial tem a partir de 80 pontos na classificação de acordo com a Brazil Specialty Coffee Association (BSCA). Já o gourmet ficaria entre 75 e 80 acima dos tipos superior/premium, tradicional e extraforte. Enquanto o especial é feito com frutos maduros e selecionados, apresentando ausência de defeitos, o gourmet, também com grão do tipo arábica, preserva o açúcar natural do grão, sendo uma bebida levemente adocicada, porém frutado e cítrico. Seria como uma porta de entrada dos cafés de melhor qualidade. “Tudo começa com uma introdução dos clientes. A gente explica sobre as regiões que os cafés especiais são produzidos, e enfatizamos os sabores mais limpos, sem amargor”, conta Ucmar. Segundo ele, hoje, um café especial chega a custar de três a cinco vezes mais que um café tradicional. “Um pacote de 250 gramas custa, mais ou menos, a partir de R\$ 30,00. Já o tradicional sai por até R\$ 12,00 o quilo”. Proprietário da empresa Rei do Café, Victor da Costa Rema Alves, a aceitação dos cafés de qualidade superior muda o paladar dos clientes definitivamente. “A gente faz esse trabalho educativo no nosso balcão, indica. Não é simplesmente vender, é fazer com o que o consumidor expanda os conhecimentos e faça sempre as melhores escolhas”. Seminário dia 21O café vai dar o tom, e o aroma, em Santos, a partir do próximo dia 21, no centro de convenções da Ponta da Praia. É quando terá início o 24º Seminário Internacional do Café, organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS) e que acontece pela primeira vez na Cidade. Ao longo de três dias, ele contará com importantes nomes do setor do Brasil e do Exterior. A diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC, em inglês), Vanusia Nogueira, a primeira mulher a ocupar o cargo na entidade, será uma das palestrantes e irá falar sobre sustentabilidade no café e economia circular. Inovação é outro tema do seminário, com abordagerm do uso da Inteligência Artificial (IA) na agricultura, assim como um painel com especialistas que vão comentar o fluxo do comércio global em tempos de ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês). Está previsto, ainda, um painel dedicado ao marketing do café. O publicitário santista Hugo Rodrigues, presidente do McCann Worldgroup, falará da importância de fortalecer e explorar mais a imagem do café brasileiro no mundo. Além disso, haverá uma palestra do economista Ricardo Amorim, que vai abordar as questões econômicas que podem influenciar no mercado dessa commodity.