(Fátima Meira/ Enquadrar/ Estadão Conteúdo) “Enquanto alguns maquinavam o assassinato de seus adversários, o presidente Lula promove o diálogo e estende as mãos em benefício do povo e do desenvolvimento do Brasil”, disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB). “Nós queremos a briga, a disputa, o tensionamento ou nós queremos o entendimento e a construção coletiva?”, indagou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. “(Houve) Um processo de tentativa de aniquilar, de encerrar a democracia no Brasil, a tentativa de golpe”, citou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, acrescentando que, de 2016 a 2022, enquanto governador da Bahia, “não tive oportunidade de ser convidado para sentar ao lado do presidente e assinar qualquer contrato”. Essas manifestações se deram no palanque montado ontem no Parque Valongo, em Santos, para se lançar a licitação do túnel Santos-Guarujá. Último a falar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não citou o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a denúncia de tentativa de golpe de Estado. Ao dividir mérito com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), só afirmou que “o que está acontecendo hoje é uma coisa que eu prometi durante a campanha. Eu quero trazer o Brasil à normalidade. É a relação civilizada entre os entes federados”. Juntos e rindo “O que nós temos que ter consciência é que nós só temos um lado: é atender bem o povo de São Paulo”, prosseguiu Lula, dirigindo-se ora ao governador, ora ao público. “Tarcísio, não se preocupe: vai ter muita foto, eu e você juntos. É o que é mais grave para os nossos adversários: é a gente estar rindo na foto”. Não são todos O petista teve um momento de autolouvação ao lembrar o ex-governador José Serra. “Meu amigo Serra não gostava” que ele fosse a São Paulo assinar contratos de empréstimo ao Estado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Eu vou pagar”, reclamava Serra, segundo o petista. Lula explicou que ia porque “não é todo presidente” que libera verba a governadores adversários. Em comum Tarcísio de Freitas, que falara mais cedo, apelou a dois assuntos caros a Lula ao discursar: futebol e Corinthians. Chamou o secretário estadual de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini. “Conta aí quem é teu irmão”. É o ex-zagueiro Paulo André, da equipe campeã do Mundial de Clubes da Fifa de 2012. Túnel na rede Um parêntese. Antes da cerimônia, o governador gravou vídeo à beira do cais com uma bola de futebol. Fez sete embaixadinhas e disse que “a gente tá aqui para marcar um golaço para a Baixada Santista”. De Madagascar Freitas agradeceu publicamente a seu “time maravilhoso”. “Tenho a melhor missão do mundo, que é ser pinguim de Madagascar (em alusão à animação que deu origem a filmes e séries). Quando pergunto o que devo fazer, me dizem: ‘Sorria sempre, sorria sempre, tire selfie’. Eles resolvem os problemas.” Passou por ele Geraldo Alckmin foi um dos políticos que passaram pelo Palácio dos Bandeirantes com o projeto da ligação seca à mesa, mas sem conseguir tirá-lo de lá. E se lembrou disso ao discursar. A tal maquete “Quando eu assumi o governo, em 2011, o projeto era uma ponte. Tinha, até, a maquete da ponte. Só que fomos aprofundar os estudos, e a ponte ia limitar o Porto”, recordou o ex-governador. Um grito No início e no fim de seu pronunciamento, o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB) ouviu gritos: “Sem anistia!”. Para unir É que, neste mês, Motta disse que os atos de 8 de janeiro de 2023 não foram tentativa de golpe de Estado. No palanque, o deputado julgou que “o nosso povo cansou de conflitos. O nosso povo não quer mais radicalismo. (...) Nós queremos sair de uma pauta que nos divide para uma pauta que nos une”. E se entendem O ministro de Portos, Motta e Tarcísio são do Republicanos — partido de situação e oposição ao mesmo tempo.