Quadro pode comprometer desenvolvimento cognitivo, da fala e da linguagem (AdobeStock) A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta: mais de 95 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos vivem com perda auditiva não tratada e sem acesso aos serviços necessários, em especial nas regiões da África e do Sudeste Asiático. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o médico Rodrigo Pereira, presidente da Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica e chefe do serviço de otorrinolaringologia pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, no Rio Grande do Sul, a perda auditiva pode comprometer o desenvolvimento cognitivo, da fala e da linguagem, além de atrapalhar a interação social da criança. Em um primeiro momento, é possível perceber prejuízos no desempenho escolar — e cabe destacar que eles ocorrem mesmo em casos de perdas auditivas mais leves. Isso porque, segundo Pereira, embora a criança consiga escutar em ambientes considerados normais, em contextos mais barulhentos, como uma sala de aula, há dificuldade de compreender o que o professor está falando, por exemplo. "Isso faz com que ela seja diagnosticada com um distúrbio de aprendizado, não com distúrbio de audição. Muitas vezes, as pessoas nem sabem que ela escuta mal", aponta o especialista. Sinais Segundo o médico, o principal sinal de perda auditiva em crianças e adolescentes em idade escolar é o pedido frequente para aumentar o volume de equipamentos sonoros, como TV, celulares, tablets etc. "Logicamente, crianças que não atendem a chamados adequadamente ou que sejam muito distraídas também precisam de atenção quanto à sua capacidade auditiva", acrescenta. Outro indício, segundo Pereira, é a demora no desenvolvimento da fala. "Em resumo, os pais devem ficar atentos aos seguintes aspectos: distração, desatenção, não atendimento de chamados e aumento do volume de equipamentos", enumera. Causas Em muitos casos, a criança já nasce com problemas auditivos, mas o otorrinolaringologista aponta que a situação também pode se desenvolver ao longo da vida em decorrência de fatores externos. Um deles é o uso prolongado de fones de ouvido em volumes muito altos. O equipamento aumenta a pressão sonora e a intensidade do som diretamente no ouvido, o que pode lesionar as células auditivas e gerar perda de audição. O zumbido costuma ser um dos primeiros sinais do problema, especialmente em adolescentes. A exposição a barulhos muito intensos, como fogos de artifício próximos ou shows sem a devida proteção auricular, também pode causar lesões. Cutucar a orelha com objetos como lápis, tampas de caneta, grampos ou até cotonetes é mais um comportamento de risco. Esses objetos, segundo Pereira, podem machucar ou furar a membrana do tímpano e deslocar a cadeia de ossinhos internos, resultando em perdas auditivas. Infecções no próprio ouvido (otites) ou doenças sistêmicas mais graves, como a meningite, são outros fatores capazes de afetar a capacidade auditiva. Tratamento Praticamente todos os tipos de perda auditiva têm tratamento, com raras exceções. Segundo o médico Rodrigo Pereira, ao primeiro sinal ou suspeita, é fundamental procurar um otorrinolaringologista. Cabe ao especialista investigar a causa do problema e indicar a conduta mais adequada para cada caso. Há opções cirúrgicas e também recursos de reabilitação, como os aparelhos auditivos convencionais, que amplificam o som. Outra possibilidade é o implante coclear, um dispositivo implantado por meio de cirurgia indicado para perdas auditivas mais graves, que substitui a função da orelha interna.