O AVC ocorre quando há uma interrupção no fluxo de sangue para o cérebro (AVC isquêmico) ou o rompimento de um vaso sanguíneo (AVC hemorrágico). (Divulgação) O que antes era visto como uma condição restrita a idosos agora acende um sinal vermelho entre os mais jovens: os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em pessoas com menos de 45 anos têm aumentado de forma preocupante no Brasil, segundo alertam entidades médicas e estudos recentes. De acordo com dados do Ministério da Saúde, nos últimos 10 anos houve um aumento de quase 30% nas internações por AVC isquêmico e hemorrágico em adultos entre 18 e 44 anos. Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV) reforça a tendência: os quadros estão aparecendo de forma mais precoce, muitas vezes em pacientes sem histórico familiar aparente. O que é o AVC e por que ele está afetando os jovens? O AVC ocorre quando há uma interrupção no fluxo de sangue para o cérebro (AVC isquêmico) ou o rompimento de um vaso sanguíneo (AVC hemorrágico). Em ambos os casos, o tempo é fundamental: quanto mais rápido for o atendimento, maiores as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas. Historicamente, a condição sempre esteve associada a pessoas com mais de 60 anos. No entanto, uma série de estudos nacionais e internacionais confirma que a faixa etária de risco vem se ampliando. Um relatório publicado em 2023 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que, globalmente, 1 em cada 4 pessoas que sofre um AVC atualmente tem menos de 50 anos. Principais fatores de risco em jovens: Segundo a American Stroke Association, os fatores que mais contribuem para o aumento do AVC em adultos jovens incluem: Hipertensão arterial não diagnosticada Obesidade e sobrepeso Uso de cigarro e vape Abuso de álcool e drogas ilícitas (como cocaína e anfetaminas) Estresse crônico e ansiedade não tratados Pílulas anticoncepcionais em combinação com tabagismo Colesterol alto Doenças autoimunes e distúrbios sanguíneos genéticos O uso de substâncias psicoativas, como energéticos combinados com álcool e o uso recreativo de drogas, está diretamente associado ao aumento do risco de AVC hemorrágico, conforme evidenciado em estudo da Fiocruz publicado em parceria com a Revista de Saúde Pública. Sintomas que não devem ser ignorados Apesar da idade, os sinais de um AVC em jovens são semelhantes aos dos mais velhos. Segundo o Protocolo de AVC do SUS, os principais sintomas incluem: Dormência ou fraqueza súbita em um lado do corpo Dificuldade para falar ou entender Perda de visão parcial ou total Dor de cabeça intensa e súbita sem causa aparente Desequilíbrio ou perda de coordenação motora Dica para leigos: a sigla SAMU ajuda a identificar o AVC rapidamente: S – Sorria (verifique se há assimetria facial) A – Abrace (a pessoa consegue levantar os dois braços?) M – Música (a fala está arrastada ou estranha?) U – Urgência (ligue imediatamente para o 192) Casos recentes chamam atenção para o problema Recentemente, casos de pessoas famosas que sofreram AVC antes dos 45 anos contribuíram para trazer o assunto à tona. O cantor Zezé Di Camargo, o ex-BBB Rodrigo Mussi e a atriz Débora Secco (que sofreu um AIT – Acidente Isquêmico Transitório) falaram publicamente sobre sintomas e cuidados. Prevenção: o que os especialistas recomendam Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), até 80% dos casos de AVC poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida. As principais orientações incluem: Controle da pressão arterial e do colesterol Prática regular de exercícios físicos Alimentação balanceada, com redução de sal e gordura Evitar o consumo de cigarro e álcool Tratar ansiedade, depressão e distúrbios do sono Fazer check-ups periódicos a partir dos 30 anos “A juventude deixou de ser sinônimo de invulnerabilidade. Hoje, vemos cada vez mais pacientes com 30, 35 anos chegando ao pronto-socorro com sintomas de AVC”, alerta a neurologista Dra. Renata Lima, do Hospital Sírio-Libanês. Conclusão: o cérebro não espera — e a prevenção é urgente A crescente incidência de AVC entre jovens brasileiros exige uma resposta rápida de toda a sociedade: políticas públicas, educação em saúde e autocuidado. O cérebro é um órgão sensível, e os danos causados por um derrame podem ser irreversíveis — ou fatais. Identificar os sinais precoces, manter hábitos saudáveis e buscar atendimento médico ao menor sintoma são atitudes que salvam vidas.