A DKW-Vemag Universal foi o primeiro modelo produzido: era 1956 (Flávio Gomes/Arquivo Pessoal) “A qualidade justifica a fama.” Assim a Vemag anunciava seus automóveis, cuja produção foi encerrada no final de 1967. A fábrica ficava no bairro Ipiranga, em São Paulo, e marcou época também por ser, em termos legais, a primeira fabricante nacional – embora a Romi, fabricante do Romi-Isetta, também reivindique essa condição. A empresa surgiu a partir da Distribuidora de Automóveis Studebaker, criada em 1945. Em 1952, transformou-se na Veículos e Máquinas Agrícolas S.A. (Vemag). O incentivo do Governo Federal à produção nacional de automóveis, na segunda metade da mesma década, estimulou a empresa a mudar seu ramo de atuação. Representantes da Vemag conheceram na Alemanha os carros da DKW, integrante da Auto Union – fusão ocorrida em 1932 entre DKW, Audi, Horch e Wanderer. A Vemag recebeu o direito de licenciamento da marca por 10 anos no Brasil, e as primeiras unidades da DKW-Vemag Universal foram produzidas em 1956. Outros veículos vieram em 1958: o Jipe, que depois se tornou Candango, e o Grande DKW-Vemag, sedã de quatro portas que virou Belcar, além da perua Vemaguet – que também teve as versões Caiçara e Pracinha. Em 1964, a empresa lançou o Fissore, um projeto sem relação com a DKW alemã, desenvolvido em parceria com a italiana Carrozzeria Fissore. No ano seguinte, a Volkswagen comprou a Auto Union na Alemanha, mantendo apenas a marca Audi. Como os motores de dois tempos deixaram de ser produzidos, a Vemag, que os utilizava, foi adquirida pela Volkswagen em 1967, encerrando sua produção após fabricar 109.343 automóveis. O que restou foi a fama da qualidade. “Quando criança, jurei que um dia teria aqueles carros de verdade”, Flávio Gomes O jornalista Flavio Gomes, especialista em automobilismo, é um dos maiores colecionadores de DKW do Brasil. Como, quando e por que começou sua paixão? Muito cedo. Meu pai teve alguns DKWs nos anos 60. Mas, lá para 1975, fizemos uma viagem de Opala para o Sul do Brasil e lá havia muitos DKWs. Toda hora meu pai apontava um na rua e eu achava os carrinhos lindos. Voltando a São Paulo, ganhei duas miniaturas da Atma: uma perua bege e um sedã verde com a capota branca. Jurei — e juramento de criança é sagrado — que um dia teria aqueles carros de verdade. Em 1988, comprei meu primeiro, um sedã verde com a capota branca. Alguns anos depois, uma Vemaguet bege. Ainda tenho as miniaturas. E tenho os de verdade. Quantos e quais são os modelos que você tem? São 11. Vamos à lista: Belcars: Um 1962 verde com capota branca (o primeiro de todos), um sedã 1958 verde (ainda sem o nome Belcar, adotado em 1961), um Belcar 1961 de corrida branco e um Belcar 1967 bege. Peruas: Uma Universal 1956 azul (décimo carro montado pela Vemag e o carro brasileiro mais antigo de que se tem notícia), uma Vemaguet 1961 verde com capota branca, uma Vemaguet 1966 branca e uma Caiçara 1962 bege (modelo “pé-de-boi”, sem cromados e outros acabamentos). Outros modelos: Um Fissore 1967 azul, um Candango 1961 bege (o jipe DKW) e uma moto 1936. Nunca vendi um DKW.