(Adobe Stock) A decisão entre comprar um imóvel ou permanecer no aluguel passa, antes de tudo, por planejamento financeiro e pela realidade de cada pessoa. É o que apontam especialistas do setor imobiliário. Segundo Carlos Meschini, diretor regional do Secovi-SP em Santos, não basta olhar apenas para o valor da parcela. A avaliação precisa ser mais ampla. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A decisão de adquirir um imóvel deve ser baseada em planejamento financeiro consistente. É fundamental avaliar a capacidade de pagamento não apenas das parcelas do financiamento, mas também dos custos recorrentes, como condomínio, IPTU, seguros e demais despesas”, afirma. Ele explica que o momento ideal para a compra costuma estar ligado à estabilidade financeira. De acordo com Meschini, a aquisição se torna mais viável quando há renda estável, possibilidade de dar entrada e acesso ao crédito. O uso do FGTS também pode ajudar a melhorar as condições do negócio. Outro ponto destacado por ele são as alternativas dentro do próprio financiamento. Existem modalidades, por exemplo, que permitem parcelas menores durante o período de obras, o que facilita para quem ainda precisa manter o aluguel ao mesmo tempo. “Existem modalidades que permitem o pagamento menor, durante o período de obra”. Comprometimento da renda Na hora de avaliar se é possível comprar, não existe uma regra fixa de renda. Meschini explica que o mercado trabalha com o conceito de comprometimento saudável do orçamento, aliado a simulações realistas de financiamento. Essas simulações, inclusive, podem ser feitas com apoio especializado. Segundo ele, há empresas que atuam como correspondentes bancários e auxiliam o comprador sem custo, já que são remuneradas pelas próprias instituições financeiras. O ponto central, reforça o diretor do Secovi-SP, é encontrar equilíbrio entre a parcela e a renda ao longo do tempo. “O fator determinante é o equilíbrio entre o valor da parcela e a previsibilidade da renda ao longo do tempo”. Ele cita como exemplo a Tabela SAC, que permite a redução gradual das parcelas, ajudando a aliviar o orçamento no futuro. Aluguel no radar Apesar da busca pela casa própria, o aluguel segue sendo uma alternativa importante em diversos cenários. Meschini afirma que a locação é mais indicada em momentos de instabilidade ou transição profissional, quando não há segurança para assumir um financiamento de longo prazo. Também pode ser vantajosa quando o custo total do imóvel ainda não cabe no orçamento. Nesse caso, ele reforça que despesas como condomínio, IPTU e manutenção devem entrar na conta desde o início. “Esses custos devem ser considerados como parte essencial da decisão, e não como elementos secundários”. Além disso, o aluguel pode funcionar como estratégia. A locação permite que o interessado organize as finanças e junte a entrada para uma compra mais segura. Não há, porém, um prazo ideal para essa transição, tudo depende da capacidade de planejamento de cada pessoa. Estabilidade financeira é vital O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, também destaca que a estabilidade financeira é fundamental antes de assumir um financiamento. Ele alerta que pessoas com renda instável ou que trocam de emprego com frequência precisam ter cautela, já que a falta de previsibilidade pode comprometer o pagamento das parcelas. Nesses casos, a tendência é que o aluguel seja a alternativa mais segura até que haja maior estabilidade. O perfil do comprador também influencia diretamente na decisão. Carlos Meschini, diretor regional do Secovi-SP em Santos, explica que a compra é mais indicada para quem busca estabilidade patrimonial e traça objetivos de longo prazo. Já quem tem maior mobilidade, planos de curto prazo ou renda instável pode encontrar no aluguel uma solução mais adequada. Ele ainda ressalta que a idade não é o principal fator nesse processo. “Mais do que a idade, o fator determinante é o planejamento”, afirma, destacando que a decisão deve ser consciente e alinhada à realidade financeira. Investimento e oportunidades O mercado imobiliário também aparece como alternativa de investimento. Segundo Meschini, a compra para locação segue sendo uma estratégia relevante, pois combina geração de renda com valorização do imóvel ao longo do tempo, especialmente em cidades com alta demanda. Viana também aponta o potencial do aluguel de temporada, principalmente em regiões litorâneas, onde há muitos imóveis voltados ao veraneio, o que pode gerar bons retornos mesmo com contratos temporários. “A Baixada Santista é um local onde isso acontece muito, até por conta de ser uma região com muitas praias e imóveis para a temporada”, conta. O presidente também destaca que pessoas, como por exemplo, diplomatas, não é tão interessante comprar imóveis. “Esse tipo de pessoa está em um país a cada dia, então não fica tão viável ter diversos imóveis por conta desta movimentação intensa”, diz. Erros mais comuns Entre os principais erros de quem decide comprar um imóvel, Meschini destaca a falta de planejamento financeiro. “No caso da compra, o principal erro é a falta de planejamento financeiro, especialmente na avaliação da capacidade de pagamento”. Já para quem permanece no aluguel por muito tempo, o problema costuma ser a falta de organização para adquirir um imóvel no futuro. Segundo ele, a ausência de disciplina para formar patrimônio acaba adiando a compra.