Guaidó desafia Maduro e defende ajuda internacional à Venezuela

Em Caracas, Parlamento aprova estratégia de atenção à emergência humanitária

Por:  -  06/02/19  -  17:51
Autoproclamado presidente em exercício, Guaidó é parabenizado por deputados no Parlamento
Autoproclamado presidente em exercício, Guaidó é parabenizado por deputados no Parlamento   Foto: Juan Barreto/ France Presse

O opositor Juan Guaidó, apoiado por 40 países que o reconhecem como presidente interino da Venezuela, redobrará sua pressão pela entrada de ajuda humanitária, desafiando o mandatário Nicolás Maduro, que a considera o início de uma intervenção militar dos Estados Unidos.


O Parlamento, de maioria opositora, e colaboradores de Guaidó aprovaram, na terça-feira (5), a estratégia de atenção à “emergência humanitária”, que terá como primeira ação o estabelecimento de centros de estocagem na Colômbia e no Brasil, disse Guaidó após o debate.


“Aqui na Venezuela, não vai entrar ninguém, nem um soldado invasor. Nesta terra ninguém toca”, sentenciou o presidente socialista, que conta, entre seus aliados, com Rússia, China, Turquia e Irã.


A ajuda humanitária é o novo desafio de Guaidó, após ser reconhecido na véspera como presidente interino por 20 países europeus, ao fim de um ultimato dado a Maduro para que convocasse “eleições livres”.


“Querem mandar dois caminhõezinhos com quatro panelas. A Venezuela não tem que mendigar a ninguém. Se querem ajudar, que acabem com o bloqueio e as sanções”, disse o presidente, assegurando que não permitirá que “humilhem” o país com o “show da ajuda humanitária”.


O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho na Colômbia anunciaram, entretanto, que não podem participar “das iniciativas de entrega de assistência planejadas para a Venezuela da Colômbia, sem que exista um acordo prévio” com as autoridades.


'Esmola' e 'fantoche'


Os Estados Unidos, que não descartam uma ação armada na Venezuela, ofereceram uma ajuda inicial de US$ 20 milhões, e o Canadá, de outros US$ 40 milhões, uma “esmola”, segundo o governo venezuelano.


Maduro acusa Washington – com o qual rompeu relações diplomáticas – de usar Guaidó como “fantoche” para derrubá-lo e se apropriar do petróleo venezuelano, e os países europeus de apoiar esses “planos golpistas”.


“Há entre 250 mil e 300 mil venezuelanos em risco de morrer. O primeiro aporte é para essa população mais vulnerável”, assegurou Guaidó, que admitiu que a primeira ajuda dará somente para um mês e para cinco hospitais.


Guaidó denunciou que os militares serão ordenados a barrar a entrada de ajuda ou a roubá-la para distribuí-la em programas do governo. “Não cruzem esse limite”, advertiu o deputado Miguel Pizarro, chefe da comissão parlamentar sobre a ajuda.


Fortalecido com o reconhecimento de 20 governos europeus, que se soma ao de Estados Unidos, Canadá e 12 países latino-americanos, Guaidó ainda pedirá ajuda humanitária à União Europeia (UE).


Além disso, solicitará a proteção de contas e ativos venezuelanos, como os Estados Unidos fizeram, que embargará a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.


A Comissão Europeia anunciou, na terça-feira, uma ajuda de € 5 milhões a mais para enfrentar a crise na Venezuela, o que eleva a ajuda humanitária para o país em € 39 milhões desde 2018.


Também na terça, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou a UE de tentar derrubar o presidente Maduro. 


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