[[legacy_image_18627]] Muita gente – nomeadamente os profissionais de turismo, restaurantes e entretenimentos noturnos – começa a se rebelar contra o governo e a se manifestar nas ruas de Lisboa e Porto, contra as medidas restritivas impostas. No mês passado, dezenas de autocarros (ônibus) lotados de empresários e trabalhadores desses setores partiram, de diversas localidades do país, em direção à capital lisboeta, para um mega protesto em frente ao Parlamento da cidade. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! De acordo com um inquérito promovido pela Pro.Var (Associação Nacional de Restaurantes), cerca de 20% das empresas já fecharam definitivamente ou provisoriamente. E o receio de Daniel Serra, presidente da Pro.Var, é que, sem “apoios efetivos”, essa percentagem suba para os 50% e atire para o desemprego 100 mil trabalhadores, o que seria uma fatura ainda bem pesada para o Estado pagar. “O que pedimos é que nos ajudem neste momento, para que possamos retribuir no futuro e voltar a ajudar o país a crescer”, frisou Serra. Muitos empresários adiaram a decisão de fecho ou despedimento, na esperança de que os deputados consigam aprovar alterações ao Orçamento do Estado que traduzam apoios eficazes que salvem o setor. O problema das medidas anunciadas pelo Governo, critica Daniel Serra, é que excluem “metade dos empresários”, por terem capitais próprios negativos ou serem empresas em nome individual, por exemplo. E mesmo para os que são elegíveis, valores de € 7.500 para acudir a perdas superiores a 50% de faturação é muito insuficiente, explica. A Pro.Var defende que sejam criados três escalões de apoios, sendo atribuídos consoante os níveis de perda. A redução do IVA (imposto de valor acrescentado) na restauração e a isenção da Taxa Social Única (TSU) são outras medidas reivindicadas como essenciais. Enquanto o povo protesta, as medidas de restrição continuam em vigor. Desta vez, o governo classificou os concelhos de acordo com o número de casos. E as medidas de restrição aplicadas podem variar de concelho para concelho, dependendo do número de contagio em cada um. Para isso, e seguindo os critérios determinados pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), definiu-se uma escala de quatro níveis de gravidade: moderado, para concelhos com menos de 240 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias; elevado, em concelhos com um número de casos entre 240 e 479 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias; muito elevado, para concelhos com um número de casos entre 480 e 959 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias; e extremamente elevado, para concelhos com mais de 960 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias. Entre as medidas que servem para todos, está a proibição de circulação entre concelhos em determinados horários, a suspensão de aulas, a tolerância de ponto, o apelo à dispensa de trabalhadores do setor privado em determinados períodos e, ainda, o uso obrigatório da máscara nos locais de trabalho em que não há distanciamento de dois metros ou separação física entre postos de trabalho. Na União Europeia, já se vislumbra uma vacina para a covid-19 para o final do mês ou o começo de janeiro. Até lá, o cerco continua apertado, os aeroportos fechados e os pequenos e médios empresários de variados setores falindo. Aguardemos por dias melhores. Sobre o autor - Luiz Plácido é jornalista, apresentador do programa Destino Portugal (transmitido no canal de tv a cabo Travel Box Brazil) e proprietário da agência de turismo Destino Portugal Viagens. Ele escreve na coluna Conexão, no jornal A Tribuna, quinzenalmente.