Instrumentos tradicionais chineses se uniram aos clássicos ocidentais para uma sonoridade única (Alexsander Ferraz/AT) Brasil e China se conectaram na noite deste domingo (26), no Teatro Municipal Braz Cubas, em Santos, por meio da música com suas nuances e tons. A edição 2025 do Concertos A Tribuna, com a junção de peças da música clássica às sonoridades tradicionais da China, foi um deleite para a plateia que lotou o local. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O evento, que integra a 9ª edição do Intercâmbio Cultural Brasil-China, iniciativa do Instituto CPFL que desde 2016, aproxima os dois países por meio da arte e da cultura. O projeto tem incentivo da Lei Rouanet. “Há mais de 30 anos que A Tribuna promove esses concertos. Agora, temos uma fase com música chinesa também. Mas estamos muito felizes por conseguir, há tanto tempo, levar um pouco de música clássica para a Cidade”, destaca o diretor-presidente da TV Tribuna. Roberto Clemente Santini, lembrando que, no centenário do jornal, em 1994, também foi realizada uma apresentação de orquestra sinfônica para marcar a data. Música e magia O espetáculo começou com uma ode à singeleza dos sons. A porta de entrada dessa experiência sensorial foi aberta pela apresentação do trio formado por Pablo de León, spalla (primeiro violino) do Theatro Municipal de São Paulo, Horácio Schaefer, chefe de naipe das violas da Osesp, e o violoncelista Roberto Ring. Eles receberam os músicos chineses Tong Zijuan e Qinxiang Gao com seus instrumentos que entregam beleza e suavidade: o pipá, conhecido como “alaúde chinês”, e o yangqin, um instrumento de mais de 144 cordas capaz de fazer soar, com a mesma doçura, clássicos da música chinesa como Anunciação, de Alceu Valença, entoada no ensaio da véspera. “É um instrumento tradicional, com origem no Oriente Médio, mas que se desenvolveu na China há 600 anos. O som é muito amplo, indo do mais suave aos mais fortes e poderosos. É muito dramático”, explica Qinxiang Gao, que mora em Campinas há 9 anos - Uma curiosidade: ele usa baquetas feitas de bambu para tocar o instrumento. Com o pipá, Tong Zijuan, fez uma apresentação solo, muito aplaudida (Alexsander Ferraz/AT) Com o pipá, Tong Zijuan, também fez uma apresentação solo, mostrando a potência do instrumento. Os espectadores se dividiam entre o silêncio respeitoso e os aplausos merecidos. “A gente tem uma barreira linguística. Mas, por meio da música, apesar de ser diferente da música que tocamos tradicionalmente, e a gente se entende perfeitamente”, conta Pablo de León. “Quando a gente recebeu todo o material, teve um tempo para poder estudar o repertório que eles fariam e entender um pouco da linguagem”, acrescenta. Ele elogiou a plateia santista, velha conhecida de outros espetáculos. “A gente já esteve aqui em Santos, em outras ocasiões e o público é muito receptivo. Até brincamos, às vezes, se tem alguém assistindo, porque fazem tanto silêncio, tamanha a atenção. A gente sempre tem uma surpresa boa aqui em Santos”. Piano Na segunda parte, quem entrou em ação foi o pianista brasileiro Cristian Budu. Um dos maiores intérpretes brasileiros das últimas duas décadas e vencedor do prestigiado Concurso Clara Haskil, na Suíça, ele fez duas peças com cordas: primeiro com trio, com piano e violino, e depois em um quarteto, com piano e viola. No repertório, peças românticas do século 19. “Johannes Brahms e Robert Schumann foram dois alemães que deixaram uma obra bastante vasta, ainda mais camerística, justamente para a formação de pequenos conjuntos. É algo que representa muito da essência da obra e da estética deles, que fala muito das paixões humanas, em todos os seus tipos”, diz Budu. Para ele, eventos como o Concertos A Tribuna alimentam a paixão pela música clássica, segundo ele, por vezes “isolada do mundo”. “Um projeto como esse é super significativo por também fazer essa ponte com a música chinesa, por dialogar no mesmo palco”, emenda. Aprovado Na plateia, a sensação é de que a noite valeu a pena. A jornalista Sheila Mattar, de 55 anos, não escondia a satisfação. “É bom ter contato com uma arte milenar. São nomes importantes da música, para uma noite inesquecível. Já a atriz Márcia Marques, de 57 anos, vivia a expectativa de ver de perto uma mistura de sons especial. “É uma fusão do antigo com o novo. Maravilhoso”, avalia. Enquanto isso, a pianista Renata Daormina, de 24 anos, veio de Itanhaém para reencontrar uma sonoridade que aprecia. “Já havia visto o trio no ano passado e achei sensacional. Também gosto muito do pianista”, explica.