A mostra está em cartaz na Pinacoteca até o dia 9 de novembro (Vanessa Rodrigues/AT) No casarão iluminado pelos vitrais da Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, a noite desta quarta-feira (10) foi tomada por formas, texturas e histórias que se entrelaçam em fragmentos de madeira, ossos, papéis e plásticos. Assim começou a exposição inédita do artista Danilo Blanco, um dos principais nomes da marchetaria contemporânea no Brasil, que reuniu convidados, autoridades e amantes da arte. A mostra já está aberta ao público nesta quinta-feira (11). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho, a exposição integra o 3° Arte na Pinacoteca e revelou ao público peças que transitam entre a tradição da técnica milenar e o frescor da inovação. Entre os trabalhos, destacam-se as obras autorais de cores vibrantes, criações em parceria com artesãos anônimos do Centro de São Paulo e um dominó gigante interativo. “As pessoas vão encontrar diferentes olhares sobre a marchetaria, que vem desde os faraós. Eu acredito que, se você não inova, não contribui com o percurso histórico de uma determinada prática”, reflete o artista sobre a sua técnica. Blanco, que também é educador e ativador cultural, reafirmou sua proposta de ampliar o olhar para além da estética, mas também um convite à reflexão sobre o fazer manual e o papel social da arte. “Moro no Centro de São Paulo, meu ateliê é lá. Quando eu saio pra tomar um café, encontro morador de rua, camelô, gente carregando coisas nas costas. Convivo com tudo isso, meu trabalho reflete essa minha vida, em o ruído da cidade grande, as cores de portas e janelas de um subúrbio, mas também a poesia de uma poça d’água”. Consciência social Para o curador Carlos Zibel, uma das características mais fortes da arte de Danilo é essa consciência social. “Não é simplesmente um artista que vende o trabalho, você põe na parede, expõe, e isso é suficiente. Esse lado social a gente procurou, na curadoria, comunicar. No salão principal, quem entrar poderá notar uma mesa de ponta cabeça, desarmando uma série de preconceitos que possa haver sobre uma arte tão antiga, em madeira”. A segunda vice-presidente da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, Renata Maria Sobrado Martinez, destaca o caráter contemporâneo do trabalho de Blanco, ainda que utilize uma técnica milenar, como a marchetaria. “Ele a revigorou, ao agregar à madeira outros materiais”, analisa. “Além de colocar (nas peças) muito de sua memória afetiva, de infância”. A diretora-executiva da Fundação, Arminda Augusto, destaca o caráter social. “A beleza dessa exposição é que por trás da obra dele estão muitas outras mãos, de artistas anônimos do Centro de São Paulo que não têm visibilidade, mas participaram (da composição) com orientação dele”. A mostra é gratuita e pode ser visitada pelo público até o dia 9 de novembro, de terça a domingo, das 9h às 18h, na Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos. Recital No próximo domingo (14), às 17 horas, a pianista Lucimeiry Arias apresenta um recital especial dedicado a grandes mestres da música popular na Pinacoteca Benedito Calixto. Com um estilo interpretativo marcado pela técnica refinada e pela expressividade, a artista leva ao público um repertório cuidadosamente selecionado para emocionar e encantar. O recital, segundo os organizadores, cria um ambiente intimista, em que cada nota do piano dialoga com a sensibilidade da plateia. A entrada é gratuita, mas os lugares são limitados.