Até hoje a pré-eclâmpsia não tem uma causa específica identificada (Imagem Ilustrativa/Freeepik) A morte da pequena Sofia, filha da cantora Lexa e do ator Ricardo Vianna, divulgada pelo casal nas redes sociais, chamou atenção para dois problemas de saúde que provocaram o parto prematuro da bebê: pré-eclâmpsia e síndrome Hellp. A combinação das duas é rara, grave e pode matar tanto a mãe quanto o filho. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A médica ginecologista e obstetra Joeline Cerqueira explica que a pré-eclâmpsia é uma doença obstétrica que geralmente acontece depois da 20ª semana de gravidez e provoca a hipertensão arterial da gestante. “A placenta é o órgão que vai nutrir o feto. Quando ela está se implantando no útero, os vasos do útero se abrem e aumenta a corrente de sangue que vai nutrir adequadamente o feto. E o que ocorre na placenta da mulher com pré-eclâmpsia? Esses vasos não conseguem mudar a conformação deles para se tornarem mais flexíveis e elásticos. O sangue não flui adequadamente para a placenta e para o feto.” A sobrecarga da circulação provoca a hipertensão arterial, igual ou acima de 14 por 9, e há perda de proteína na urina, a proteinúria. A pré-eclâmpsia precisa ser tratada para não colocar a vida da mãe e do feto em risco. Entre os agravamentos possíveis estão a eclâmpsia e a síndrome Hellp. A eclâmpsia é marcada pela ocorrência de convulsões generalizadas ou coma em gestantes. Por sua vez, a síndrome Hellp é um tipo de complicação que provoca hemólise (fragmentação das células vermelhas do sangue na circulação), níveis elevados de enzimas hepáticas e diminuição do número de plaquetas. Essa combinação mostra que alguns órgãos podem estar entrando em falência, como os rins e o fígado. Apesar de não ser comum, também existe a pré-eclâmpsia ou eclâmpsia pós-parto, que ocorre até 72 horas depois do parto. A complicação é responsável pela hipertensão arterial e crises convulsivas nesse período. Causas e prevenção A obstetra explica que até hoje a pré-eclâmpsia não tem uma causa específica identificada. Existem teorias, dentre as quais ela destaca a má implantação da placenta no processo da gestação. Mas já se conhecem os principais fatores de risco: primeira gestação da mulher, gravidez antes dos 18 e depois dos 40 anos, pressão alta crônica, diabetes, lúpus, obesidade, histórico familiar dessas doenças e gestação de gêmeos. Prevenção e redução de riscos A realização do pré-natal, com acompanhamento médico da gravidez e da pressão arterial, é a melhor forma de prevenir a pré-eclâmpsia e demais complicações. “Existem medicações já testadas que diminuem consideravelmente as probabilidades de pré-eclâmpsia para as pacientes de risco. Uma delas é o cálcio, outra é o AAS infantil. Elas usam essa aspirina em dose baixa de 100 mg a partir de 12 até 16 semanas de gestação”, diz Joeline. “É imprescindível o médico começar (a aplicação do remédio) nesse período. É uma doença que se instala pela placenta e depois de 16 semanas a placenta já está toda formada. Então, não adianta começar uma profilaxia muito tarde”, completa a especialista. Sintomas A pré-eclâmpsia pode ser assintomática. Mas há sinais comuns, como dor de cabeça forte que não passa com remédios, inchaço no rosto e nas mãos, ganho de peso em uma semana, dificuldade para respirar, náusea ou vômito após os primeiros três meses de gestação, perda ou alterações da visão e dor no abdômen do lado direito. Os sintomas da eclâmpsia podem ser dores de cabeça, de estômago e perturbações visuais antes da convulsão, sangramento vaginal e coma. Tratamento O principal objetivo do tratamento para quem desenvolve o quadro de pré-eclâmpsia é o controle da pressão arterial. Podem ser usados hipotensores, medicações orais e injetáveis para conseguir manter a pressão arterial abaixo de 14 por 9. Também podem ser indicados alimentação com baixo consumo de sal e de açúcar, repouso, aumento da ingestão de água e acompanhamento pré-natal mais rigoroso.