Espetáculo de rua El Teatro Es un Sueño, do grupo Yuyachkani, abrirá o festival na área em frente ao Sesc (Roberto Zamalloa/ Divulgação) O Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, realizado pelo Sesc São Paulo, acontecerá entre 5 e 15 de setembro em Santos e os ingressos começarão a ser vendidos hoje, às 17h. Nesta sétima edição, o país homenageado é o Peru, que será representado por 11 obras, sendo oito espetáculos e três apresentações musicais e performáticas que integram a agenda noturna do festival. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O festival terá, ainda, 12 peças vindas de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Espanha, México, Portugal e Uruguai, e mais 13 trabalhos nacionais de Amazonas, Ceará, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo, totalizando 33 espetáculos. O conjunto da programação expressa a intenção de propor três eixos para divulgação da produção ibero-americana contemporânea: o sonho, a floresta e a esperança. Isso traz à cena temáticas relevantes para as realidades dos países e dos artistas. As obras abordam, por exemplo, questões indígenas, decoloniais e das relações com a natureza, além de provocarem reflexões sobre violências, gênero e identidades, migrações e deslocamentos, relações de poder e diversidade de corpos. Segundo o diretor regional do Sesc São Paulo, Luiz Galina, “compreender o pertencimento ancestral enriquece a pesquisa nas artes performáticas, ampliando visões e criando novos contextos. Essa percepção pode superar supostas hierarquias entre povos e permitir novas aproximações simbólicas”. Dois trabalhos peruanos abrem esta edição: o espetáculo de rua El Teatro Es un Sueño, do grupo Yuyachkani, e a peça Esperanza, de Marisol Palacios e Aldo Miyashiro. O primeiro, apresentado a céu aberto, próximo ao Sesc Santos, homenageia o teatro, criando um momento de fantasia em que vida cotidiana, encenação e música ao vivo se mesclam. Já o segundo, com encenação no Teatro do Sesc Santos, traz como pano de fundo o início dos anos 1980 no Peru, quando o país, recém-saído de um regime ditatorial, vivia um período conturbado. No espaço de convivência, a instalação Florestania, de Eliana Monteiro, convida o público a romper com a lógica do cotidiano e de centros urbanos. Um conjunto de 13 redes, confeccionadas em fibras de buriti por mulheres de quatro etnias indígenas da Amazônia brasileira e uma da Amazônia peruana, é disposto para o público deitar enquanto ouve sons da floresta. Dois trabalhos com texto e direção de Mariana de Althaus integram a programação. Quemar el Bosque Contigo Adentro reflete sobre as violências de gênero a partir de um universo simbólico, que entrelaça natureza e relações sociais, enquanto La Vida en Otros Planetas, do Icpna Cultural, traça um panorama da educação pública no Peru pelos olhos de professores e alunos. Fazendo sua estreia no festival, El Rincón de los Muertos, com direção de Yanira Dávila e Sebastián Rubio, parte da história pessoal do ator Ricardo Bromley para retraçar os ciclos de violência na cidade peruana de Ayacucho. O ativismo também é tema, sob outra perspectiva, do trabalho de Liliana Albornoz Muñoz, em ¿Dónde Están las Feministas? Costurando dança, música e criações audiovisuais, El Presidente Más Feliz, da coreógrafa Cristina Velarde, discute como a corrupção e o abuso de poder se inserem no tecido social. A programação e os locais podem ser acessados pelo site.