O movimento era liderado por Wanderléa, Erasmo e Roberto Carlos: na TV, era nas tardes de domingo (Reprodução) É uma brasa, mora – mesmo depois de 60 anos. A frase icônica, cunhada pelo então Rei da Juventude, Roberto Carlos, era a perfeita descrição de um movimento que surgiu como programa de tevê: o Jovem Guarda, comandado pelo próprio Roberto, Erasmo Carlos e Wanderléa. Para celebrar as seis décadas, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) inaugura amanhã a mostra Jovem Guarda 60 Anos. Com curadoria de André Sturm, diretor-geral do MIS, a mostra contará com diversos álbuns, pôsteres, fotografias, capas de revistas, matérias de jornais e itens pessoais de alguns membros do movimento. Ao longo do percurso da exposição, dividida em sete espaços, o visitante poderá ver itens raros, como o disco lançado por Roberto Carlos com o primeiro hit assumidamente rock ‘n’ roll Splish Splash. A mostra traz ainda trechos em vídeo e cartazes dos filmes da época, responsáveis por reforçar a estética geral do movimento, como a trilogia composta por Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa (1970) e Roberto Carlos a 300 km por Hora (1971), dirigidos por Roberto Farias, irmão do ator Reginaldo Farias. -galeria jovem guarda (1.452544) Trechos de entrevistas exclusivas concedidas ao programa de depoimentos Notas Contemporâneas, do MIS, ao longo de mais de dez anos, também integram as galerias, com nomes como Martinha, Eduardo Araújo, Sérgio Reis, Jerry Adriani, Wanderléa e Luiz Ayrão. Acervo privado A exposição é pautada na coleção do jornalista Washington Morais, um grande entusiasta do tema e detentor de um dos maiores acervos privados do Brasil sobre o período. Ao longo dos últimos 30 anos, ele foi responsável por conectar todos os personagens envolvidos na produção musical das décadas de 1950, 1960 e 1970. Washington apurou com artistas, produtores e empresários todos os detalhes da fase, fazendo uma expressiva arqueologia histórico-social do movimento de música jovem no Brasil e no mundo. Como era O programa Jovem Guarda estreou na TV Record em agosto de 1965 e a princípio era veiculado como um ‘tapa-buracos’, aos domingos à tarde, para substituir as partidas de futebol, cujas transmissões tinham saído do ar. Porém, ao longo dos anos, recebeu centenas de artistas, músicos, bandas e intérpretes de todo o Brasil, tendo em comum sua energia radiante e uma comunicação direta com a juventude nacional. O movimento foi muito maior que o programa de televisão e pautou costumes, hábitos, moda e até uma linguagem própria, rapidamente absorvida e disseminada, com presença até hoje. “Não podíamos deixar passar esta data e celebrar os 60 anos desse movimento que marcou tanto a cultura brasileira, a Jovem Guarda”, afirma André Sturm, diretor-geral do MIS e curador da exposição. “Tivemos a sorte de ter acesso a um acervo maravilhoso do Washington Morais, que nos permitiu oferecer ao público uma viagem no tempo, de volta ao coração desse momento tão dinâmico e eletrizante”, encerra. Serviço: Jovem Guarda 60 Anos, a partir de amanhã, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo). Terças a sextas, das 10 às 19 horas, sábados, das 10 às 20 horas, domingos, das 10 às 18 horas. Ingressos a R\$ 15,00 e R\$ 30,00, à venda na internet. Entrada franca às terças-feiras e nas terceiras quartas de cada mês, com ingressos retirados na bilheteria física, na hora da visita.