Cor entra em cena de forma única com sua expressão para refletir a identidade dos moradores (FreePik) Paixão, amor, desejo, expressividade e coragem. O vermelho é uma cor que desperta sentimentos imediatos e dificilmente passa despercebida. Carregado de simbolismos, é associado à intensidade da energia vital do dia a dia. Na arquitetura de interiores, ganha espaço tanto em detalhes mais discretos, porém não menos expressivos, quanto em pontos que transformam completamente a atmosfera de um ambiente. Para a arquiteta Cristiane Schiavoni, o vermelho tem um significado especial: é sua cor favorita e presença constante também no guarda-roupa. Talvez não seja coincidência, afinal, como uma boa ariana, ela se identifica com a impetuosidade e a ousadia que esse tom transmite em sua vida e seus projetos. Mas, apesar da afinidade pessoal, Cristiane afirma que cada cor precisa fazer sentido para quem vai habitar o espaço. “Não adianta ser uma cor que eu adoro se não traduzir a identidade de quem vive naquele ambiente”. Quando bem utilizada, aquece, traz alegria e agrega conforto. Essa paixão pessoal, somada à sensibilidade em adaptar a cor às expectativas dos clientes, faz com que o vermelho se torne um recurso poderoso em seus projetos, sempre presente de forma equilibrada. O desafio do equilíbrio No caso do vermelho, por ser uma cor vibrante e saturada, o desafio está em balancear sua força sem perder sua beleza. “Fica muito interessante criar cenários acolhedores com tons terrosos, madeirados, beges ou cinzas, que suavizam a energia e mantêm o ambiente harmônico”. Nas áreas sociais como salas de estar, jantar e cozinhas, o vermelho funciona como um convite à convivência, trazendo calor e vitalidade. Já em ambientes de descanso, como quartos e salas de leitura, Cristiane recomenda cautela. Inspirações Protagonista na cozinha Ele tem um ar retrô, mas ao mesmo tempo exterioriza modernidade: não tem como deixar de apreciar o vermelho-cereja. O resultado é um charme: junto com o piso hexagonal, com um tom que nos recorda a nuance do piso vermelhão, o branco dos armários superiores e o revestimento da parede suavizam sua pujança. (Foto 1) FOTO 1 (Carlos Piratininga/Divulgação) Na marcenaria da área social Neste apartamento duplex, moradores e visitantes são recebidos pela fusão entre o vermelho e o espelhado do vidro. A dupla já aparece logo na entrada, com o espaço da sapateira, e sua extensão resplandece com a cristaleira. Com o vermelho em toda estrutura da marcenaria, a cor se evidencia na parte central, acompanhada pelos armários onde estão guardados os copos para as bebidas destiladas e as taças de vinho. (Foto 2) FOTO 2 (Carlos Piratininga/Divulgação) Nas portas Entre tantos elementos que compõem uma casa, as portas podem não ser notadas pelos moradores e visitantes, mas isso muda completamente quando ganham cor. O vermelho é uma escolha que surpreende, quebra a monotonia, traz um toque inesperado ao ambiente e dá contraste. Para respeitar as questões condominiais, o indicado é pintar apenas a parte interna. Na bancada do banheiro Nesse banheiro de casal, uma arquitetura de interiores arrojada: para combinar com a magnitude do mármore azul, a marcenaria vermelha entrou como contraponto, ao mesmo tempo que manteve o impacto da sua presença. (Foto 4) FOTO 4 (Carlos Piratininga/Divulgação) Nas artes Nesta sala de jogos, a escultura vermelha surge como ponto de cor que rouba olhares em meio à base neutra do décor. O vermelho também participa como memória afetiva: no living, a peça, que já fazia parte do acervo das moradoras, ganhou destaque junto ao efeito ripado que reveste as paredes e o azul das poltronas. Já em outro projeto, a arquiteta definiu o preto como fundo que recebeu a réplica de um carro de Fórmula 1, presente da esposa ao marido. (Foto 3) FOTO 3 (Carlos Piratininga/Divulgação) Na mesa de trabalho De acordo com Cristiane, o vermelho também pode emprestar o seu vigor para o ambiente de trabalho. Nas paredes No hall de entrada, a cor é quase monocromática ao se configurar na parede e no teto. (Foto 5) FOTO 5 (Carlos Piratininga/Divulgação)