Vacina é recomendada para idosos e gestantes, que irão transferir os anticorpos para a criança por meio da placenta (Adobe Stock) Clínicas particulares começaram a oferecer na última semana a vacina aplicada em gestantes que protege bebês do vírus sincicial respiratório (VSR), causador de doenças como bronquiolite e pneumonia. Produzido pela Pfizer, o Abrysvo é o primeiro imunizante aprovado no Brasil para os dois grupos populacionais mais vulneráveis às infecções por VSR, idosos e bebês, estes a partir da vacinação das mães, durante a gestação. Com a imunização, os anticorpos gerados pela mãe migram para o bebê pela placenta e o protegem nos primeiros meses de vida - em estudo, a vacina se mostrou capaz de prevenir 82% das formas graves de doenças respiratórias causadas pelo VSR em crianças de até três meses de idade. Para bebês até seis meses, a porcentagem foi de 69%. Para grávidas, a orientação é receber uma dose de Abrysvo entre a 24ª e a 36ª semanas de gestação. O vírus sincicial respiratório provoca sintomas como febre, dor de garganta, de cabeça e secreção nasal, podendo se agravar, com risco de morte. A médica pediatra Márcia Faria Rodrigues, responsável por uma clínica de vacinas em Santos, fala mais sobre os riscos dessa vacina e de outras cujas doenças infeccionas voltaram a aparecer em consequência da queda das imunizações de maneira geral. Recém-aprovada no Brasil, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), um dos causadores da bronquiolite, tem indicação para qual faixa etária? É recomendada para idosos e gestantes, que irão transferir os anticorpos para a criança por meio da placenta. Já para os bebês, indica-se outro imunizante, chamado Beyfortus, que é feito na sazonalidade, ou seja, entre fevereiro e julho, em única dose, independentemente da mãe ter sido imunizada durante a gestação. Em qual fase da gestação a mulher deve ser imunizada contra o VSR? Na gestante, a vacina deve ser feita preferencialmente entre 32 e 36 semanas. Existe apenas um tipo de vacina para esse vírus? Existe a Abrysvo, da Pfizer, que é a única recomendada para gestantes e idosos. Já a Arexvy, da GSK, está disponível apenas para idosos. A partir de quanto tempo após a vacina a pessoa fica imunizada? Após cerca de 15 dias para produzir um bom nível de anticorpos. Caso seja feita na gestante, precisamos de mais alguns dias para transmitir ao feto. Portanto, o ideal é se vacinar entre 32 e 36 semanas de gestação. Estudos mostram proteção acima de 80% contra casos graves e internações, tanto para os bebês quanto para os idosos. O Brasil caiu na lista de países com mais crianças não vacinadas no mundo, de acordo com análise da Unicef e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso acabou trazendo o retorno de algumas doenças que estavam praticamente erradicadas, como a poliomielite e a coqueluche, por exemplo? Sim, isso se deve às baixas coberturas vacinais. Muitas pessoas se esqueceram das doenças e, por consequência, infelizmente acabam não se lembrando das vacinas. Por exemplo, acabamos de sair de uma situação grave de dengue e muitas mães ainda não levaram seus filhos para se vacinar contra essa doença. A vacina está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, gratuitamente, nos postos de saúde. Já no caso da coqueluche, por exemplo, as pessoas se esquecem dos reforços, que devem ser feitos, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, aos 5 anos de idade, 10 anos e, depois, a cada 10 anos. Já nos grupos de risco ou nos contactantes dos bebês, devem ser feitas com intervalo máximo de 5 anos. Na gestante, deve ser repetida a cada gestação. A vacina contra coqueluche para maiores de 7 anos só está disponível no SUS para gestantes e profissionais de saúde. Os demais devem procurar uma clínica particular de vacinação. Na maioria das vezes, a família presta mais atenção nas vacinas relacionadas aos bebês, mas esquecem que as imunizações devem ser feitas em várias fases da vida... Com certeza! Gripe, pneumonia, vírus sincicial e herpes zoster, por exemplo, são doenças com chance de complicações e mortes muito maior após os 60 anos. Isso se deve porque quanto mais velhos ficamos, menos imunidade temos e mais fatores de risco. Quanto à meningite, por exemplo, há variantes da doença, não é? Quais as vacinas que temos disponíveis e de quanto em quanto tempo devem ser aplicadas? Sim, além das meningites virais, que podem acontecer, por exemplo, pelo vírus da caxumba, existem as bacterianas por hemophilus, pneumococo e meningococo. Entre os meningococos, existem os tipos A, B, C, W e Y. Para todas essas meningites bacterianas existem vacinas. Algumas devem ser refeitas ao longo da vida (veja o calendário para cada idade no site www.sbim.org.br). O Governo disponibiliza a meningite C aos bebes e uma dose de ACWY após 11 anos apenas. Demais idades e para a meningite B, apenas nas clínicas particulares em nosso País. Pessoas com mais de 50 anos precisam ficar atentas ao herpes zoster... Sim, muito! Uma em cada três pessoas acima de 60 anos terá herpes zoster. A vacina evita cerca de 90 % dos casos dessa doença. É importante lembrar que nem todas as vacinas estão disponíveis no SUS e não é porque são menos importantes. Muitas delas ainda não são produzidas no mundo em quantidade suficiente para que sejam ofertadas de forma igualitária. Isso ocorre com a vacina da dengue. Outras vezes, o custo ainda é um impeditivo no nosso País. E antes de introduzirmos novas vacinas, temos que melhorar a adesão àquelas já disponíveis. Ou seja, o povo precisa mostrar que tem interesse nas vacinas. Só assim poderemos reivindicar novas imunizações em nosso calendário vacinal.