O que é que o baiano tem? Molho, uma voz envolvente amaciada pelo sotaque suave dos ares de Salvador (BA), um olhar intenso, beleza, um talento extraordinário e um magnetismo sem igual. Wagner Moura tem borogodó! Ele é a sensação do Brasil nos festivais de cinema mundo afora e o poderoso chamariz comercial e publicitário de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. O filme desponta como o nacional favorito para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026. O longa-metragem é um dos seis selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para disputar uma vaga entre os indicados ao maior prêmio mundial do cinema. O finalista que representará o Brasil na corrida por uma vaga entre os indicados a Melhor Filme Internacional, da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, será conhecido amanhã, mas a disputa é acirrada. O Agente Secreto concorre com O Último Azul, de Gabriel Mascaro, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim; o aclamado Manas, de Marianna Brennand, ao qual o ator Sean Penn acaba de se juntar como produtor executivo; Baby, de Marcelo Caetano; Oeste Outra Vez, de Erico Rassi; e Kasa Branca, de Luciano Vidigal. Entretanto, sabe-se que não basta ser tecnicamente excelente para ganhar a cobiçada estatueta dourada de Melhor Filme Internacional, é preciso investir pesado em marketing e lobby na indústria audiovisual mais concorrida do planeta. Entre as estratégias, estampar as mídias especializadas mais conceituadas e transitar pelos programas de entrevistas de maior audiência dos Estados Unidos. Além disso, assim como na temporada de festivais e premiações 2024/2025, com Fernanda Torres e Ainda Estou Aqui, o engajamento massivo nas redes sociais se tornou um fator importante na avaliação de popularidade. E popularidade conta muito na premiação da Academia de Hollywood. Nesse quesito, O Agente Secreto tem larga vantagem sobre os seus concorrentes brasileiros. Embora Rodrigo Santoro, um dos protagonistas de O Último Azul, seja um ator brasileiro destacado no cinema norte-americano, é Wagner Moura, com carreira em ascensão na gringa, o centro das atenções na temporada atual. O Agente Secreto é um thriller ambientado no Brasil de 1977, um período relativamente mais brando da ditadura militar, se comparado aos chamados anos de chumbo. Na trama, Marcelo (Moura) é um especialista em tecnologia que foge de um passado misterioso e volta ao Recife em busca de paz. Ele logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura. O filme ganhou dois importantes prêmios na 78ª edição do Festival de Cannes, em maio deste ano, o de Melhor Direção para Kleber Mendonça Filho e o de Melhor Ator para Wagner Moura. O longa-metragem fez sua estreia mundial em Cannes, onde foi ovacionado com mais de dez minutos de aplausos. O cineasta também dirigiu Aquarius (2016) e Bacurau (2019). Além da atenção da Imprensa e dos prêmios conquistados, o filme conta com distribuição internacional robusta: a Neon nos EUA e Canadá, e a Mubi para o Reino Unido, Irlanda, Índia e América Latina (exceto Brasil), o que ajuda a tornar O Agente Secreto ainda mais conhecido do público e da crítica especializada no mercado global. A 98ª edição da cerimônia de premiação do Oscar será realizada no dia 15 de março de 2026. As chances de ter Brasil no Oscar pelo segundo ano consecutivo são grandes, quem sabe com ritmo de frevo pernambucano e molho baiano. Vamos seguir nessa corrente pra frente, torcendo juntos, num só coração. Boa semana! Bárbara Farias é jornalista.