As divisórias atuam como mediadoras filtrando a luminosidade, conduzindo o olhar ou trazendo novas possibilidades (Kadu Lopes/Divulgação) Há algo de instigante na forma como os espaços se comunicam nos projetos residenciais. Um ambiente pode se abrir para o outro, mas ainda assim preservar a sensação de limite e uma certa discrição. Na arquitetura, as divisórias atuam como mediadoras desse diálogo, filtrando a luminosidade, conduzindo o olhar e trazendo novas possibilidades de textura e profundidade sem romper a continuidade visual. Nesse contexto, arquitetas como Ana Rozenblit, da Spaço Interior, Cristiane Schiavoni e Isabella Nalon exploram as múltiplas possibilidades desses recursos em suas composições. Cada uma, a seu modo, propõe uma leitura contemporânea sobre o ato de delimitar sem isolar, seja por meio de painéis vazados, elementos translúcidos, mobiliário ou materiais que filtram a luz de forma sutil e elegante. Veja algumas inspirações: Cobogó, o clássico dos clássicos Na ampla varanda integrada com o living, a aposta de Cristiane Schiavoni foi no cobogó para prover uma suave divisão entre a sala de jantar e a área gourmet com churrasqueira. Desde que foi desenvolvido em Recife (PE) pelos três engenheiros cujas iniciais formam o nome do elemento, a presença dos cobogós sempre se fez eficaz nos projetos de arquitetura de interiores. “Sem contar a beleza que agrega ao ambiente”. Com inúmeros desenhos, cores e materiais, é atemporal e um dos ícones da arquitetura brasileira. Biombos No espaço executado pela arquiteta Isabella Nalon, o biombo foi realçado pela naturalidade do acabamento palhinha. A segregação graciosa entre espaços não precisa alcançar o pé-direito do ambiente: entre 1,80 e 2,20 m já representa uma altura suficiente para cumprir a ideia de conceder privacidade a um espaço. A diversidade de desenhos, materiais e cores também compõe as divisórias vazadas (Carlos Piratininga/Divulgação) Divisórias vazadas A diversidade de desenhos, materiais e cores também compõe as divisórias vazadas que resguardam os ambientes em diferentes propostas. Conforme as medidas do banheiro permitem, a arquiteta Isabella Nalon gosta de investir em uma área mais circunspecta para o uso do vaso sanitário. Inspiradas nas tramas do muxarabi, essas divisórias vazadas dão privacidade e não interferem na luminosidade e ventilação natural. Varanda Na generosa varanda integrada do apartamento abaixo, a arquiteta Cristiane Schiavoni centralizou um generoso sofá e, em um dos lados, aplicou uma divisória para distinguir o home office do morador. “Mesmo concentrado no trabalho, ele não está totalmente desconectado da dinâmica que acontece no apartamento”. Além da assimetria do seu desenho vazado, a divisória acopla o suporte giratório da TV, que tanto pode atender o morador enquanto exerce suas atividades profissionais. Brise Recurso muito usado para a entrada de luz, o brise tem origem no francês brise-soleil, que significa quebra-sol. Ele se destacou em fachadas de edificações modernistas nas décadas de 1930 e 1940, mas a arquitetura o incorporou aos ambientes internos como um recurso que auxilia na passagem de luz e ventilação natural, tal qual a arquiteta Ana Rozenblit adotou para separar a área social da varanda gourmet. Com a articulação do brise fixada em duas bases de madeira, o morador pode controlar a visão entre a sala de estar e a varanda. Brise I No projeto de uma residência, a arquiteta Isabella Nalon trabalhou o brise fixo em aço corten para conduzir o caminho na lateral. A definição do material levou em conta sua resistência – produzido em liga de aço que forma uma camada protetora de ferrugem, elimina a necessidade de pintura ou selantes, mantendo a integridade estrutural. O uso do mobiliário Os móveis – soltos ou planejados – também podem ser incumbidos de delimitar ambientes, mas sem dividir. Elaborada sob medida, a estante de serralheria foi designada pela arquiteta Cristiane Schiavoni para servir como moldura para o sofá. Com o mesmo comprimento do móvel e uma largura estreita, ela se tornou mais do que uma peça decorativa: um elemento vazado que contribui para sua integração com a varanda. Cristaleira Na ampla varanda desta casa, a cristaleira em serralheria e vidro foi a estratégia da arquiteta Cristiane Schiavoni para distinguir o espaço da churrasqueira e a cozinha da área gourmet. Adega Sendo o núcleo da área social, esta adega executada pela arquiteta Ana Rozenblit, do escritório Spaço Interior, tornou-se a linha que separa a sala de jantar do living de convivência.