Yuri e Kaynã, irmãos da pequena Treze Tílias (Divulgação) Naturais de Treze Tílias, uma charmosa cidade do interior de Santa Catarina de origem europeia, os irmãos Yuri e Kaynã formam uma dupla sertaneja country que mistura talento, carisma e identidade musical. Com sete anos de estrada, unem o sertanejo raiz e universitário ao country rock americano, criando um som autêntico que já soma mais de 1 milhão de plays nas plataformas digitais e 1,5 milhão de visualizações no YouTube. Cantores, compositores e músicos, têm na produção de Kaynã um diferencial: o controle total do processo criativo. Depois de um EP com versões em inglês, os irmãos dão mais um passo com o lançamento de Pistoleira, single autoral em português que mantém a essência country e conta com participação da jovem cantora Brenda D’Angelis. A música chegou às plataformas e tem clipe com estética de faroeste moderno. Pistoleira marca uma nova fase na carreira de vocês. Como surgiu a ideia da música e o desejo de trazer a letra para o português sem perder a essência country? Pistoleira marca mesmo uma nova fase. A ideia surgiu de uma composição do Kaynã, que veio inspirada na música You Look Like You Love Me, da Ella Langley com o Riley Greene. Desde o começo, a gente quis manter bem viva a essência do country americano, com instrumentos que são chave nesse estilo, como o banjo, a steel guitar, o piano… tudo isso ajuda a trazer essa identidade mais country mesmo. Mas, ao mesmo tempo, sentimos que cantar em português faria com que a mensagem da música chegasse mais fácil nas pessoas. Quem é fã de country adora o inglês, claro, mas trazer isso para o português acaba deixando a música mais pop e acessível para mais pessoas, inclusive o público que curte sertanejo. Então, foi uma escolha consciente para aumentar o alcance da música, entrar em playlists e conectar com mais pessoas. Ficou country, mas com a nossa cara. O clipe tem uma estética de faroeste moderno, gravado em um rancho, com figurinos e narrativa bem cinematográfica. Como foi a criação desse conceito visual e quais foram as principais referências? Os próprios arranjos da música já remetem muito àquela atmosfera de Honky Tonk Saloon, esses bares de beira de estrada que a gente vê nos filmes americanos, e isso já acendeu na nossa cabeça a ideia de um clipe com pegada de faroeste moderno. Nós e a Brenda (D’Angelis) sempre fomos muito apaixonados por essa estética do bang bang, do universo country mesmo, então sabíamos que o visual precisava estar à altura da história que Pistoleira conta. O desafio foi encontrar o cenário ideal, e aí nosso time de produção e marketing arrebentou: encontramos o Baumgartner Ranch, que era exatamente o que a gente imaginava. A direção também foi essencial para fazer tudo se conectar; os figurinos, o piano no meio do rancho, a luz, as atuações… tudo pensado nos mínimos detalhes para trazer essa atmosfera de faroeste. A gente ficou muito feliz com o resultado. A participação da Brenda D’Angelis deu um tempero especial à faixa. Como nasceu essa parceria? A participação da Brenda deu um toque especial para Pistoleira. A gente a conheceu pelo Instagram, curtindo vídeos, conversando, até que surgiu a oportunidade. Já tínhamos comentado que a música pedia uma voz feminina, porque tem esse formato de conversa num bar, entre um homem e uma mulher. E logo pensamos nela, porque além de cantar bem, já mostrava que curtia o mesmo universo que a gente. Nessa época, ela estava justamente em viagem para Nashville, o berço do country nos EUA, postando tudo em tempo real. Quando vimos aquilo, a conexão ficou ainda mais clara. Além de cantar superbem, ela tem uma presença incrível, uma veia artística muito forte. Trouxe uma interpretação cheia de atitude, com ousadia meio cômica, meio intensa, que a gente queria passar. Casou muito com a nossa proposta. Vocês vêm de Treze Tílias (SC), uma cidade pequena, mas têm ganhado espaço em eventos importantes pelo País. Quais foram os maiores desafios de construir uma carreira autoral e independente dentro do sertanejo/country no Brasil? Sempre foi um grande desafio. Mas foi mais positivo do que negativo. A virada de chave aconteceu quando decidimos assumir de vez essa identidade que mistura o sertanejo com a pegada country, que sempre foi muito natural pra gente. A partir daí, parece que o público começou a se abrir para ouvir algo diferente. E foi justamente com os conteúdos nas redes sociais, alguns vídeos que viralizaram, que começamos a ganhar visibilidade e espaço em agendas importantes: eventos nacionais, bares conceituados do gênero, festivais pelo Brasil. O maior desafio talvez seja ainda essa resistência de parte do mercado, que está muito acostumado com o sertanejo mais tradicional. Às vezes, isso impacta em coisas como entrar em playlists, por exemplo. Mas, mesmo assim, vemos que tem muita gente interessada nesse universo do country; só estava faltando alguém fazer. E é justamente isso que move a gente: oferecer algo novo, sem cair no mais do mesmo, com verdade e identidade. O som de vocês mistura banjo, violino e influências do country com uma pegada brasileira. Como descreveriam a identidade musical de Yuri e Kaynã em uma frase? Essa é uma pergunta difícil, mas se a gente tivesse que definir em uma frase, diríamos que nosso som é um new country brasileiro, com raízes no sertanejo e letras que equilibram emoção, conteúdo e ritmo, entre o romântico e o animado. O country vem ganhando mais visibilidade no Brasil, inclusive no pop. Como vocês enxergam esse crescimento? Com muito entusiasmo. Assim como nos Estados Unidos, por aqui também existem três perfis de público: quem defende o country raiz, quem curte o country mais pop e quem aposta em novas experiências, misturando batidas e referências diferentes. A gente acredita que manter as raízes é essencial, claro — tanto no sertanejo quanto no country —, mas essa fusão com o pop é muito importante para atrair novos públicos e fazer o estilo crescer. É esse mix que mantém o gênero vivo, atual e em constante renovação. O público brasileiro já está se abrindo para isso, ainda mais com a influência do pop, mas sentimos que o mercado, principalmente as plataformas digitais, ainda precisam acompanhar esse movimento. Ainda existe uma certa resistência, talvez pela questão da língua ou pela força do sertanejo tradicional, que é dominante por aqui. Falta espaço, faltam playlists voltadas a esse som mais country-pop brasileiro. Isso é importante, porque tem muita gente boa fazendo esse trabalho, artistas talentosos trazendo o country para a nossa realidade. Acreditamos muito nesse caminho. E para além de Pistoleira, o que o público pode esperar de vocês para os próximos meses? A galera pode esperar muita coisa nova nos próximos meses! A gente está com várias músicas em produção, algumas em português, outras em inglês, todas com aquela pegada que a gente ama, bem típica do country americano, mas com a nossa identidade. Também vem clipe novo por aí e estamos estudando parcerias, alguns feats que têm tudo para surpreender. Pistoleira empolgou muito a gente, e o mais legal é que todo o processo é feito por nós mesmos: desde a composição ou escolha das músicas, até a gravação no nosso próprio estúdio. A produção é assinada pelo Kaynã e a parte de divulgação e estratégia também é 100% feita por nós. A gente vive cada etapa intensamente, então tem muita coisa boa sendo preparada com carinho e com a cara do nosso público, que só cresce e motiva a gente a ir além.