[[legacy_image_319937]] “Não vai dar certo”, “É muito arriscado”, “É difícil demais para mim”, “Não vou conseguir”... Quantas vezes nossos pensamentos se tornam obstáculos invisíveis, impedindo-nos de abraçar oportunidades que poderiam transformar nossa vida? Esse fenômeno comum, porém muitas vezes subestimado, é a autossabotagem e pode prejudicar não apenas nossas conquistas profissionais, mas também nossas relações pessoais e a saúde emocional. A autossabotagem pode se infiltrar silenciosamente na vida das pessoas, especialmente quando elas tentam atender a expectativas irreais, por meio de uma exigência externa. A psicóloga Ana Cristina Lamas diz que a busca incessante por ultrapassar limites pode levar a uma sobrecarga emocional, afetando tanto a vida profissional quanto a pessoal. “A pessoa vai tentando realizar multitarefas, afinal ela ouviu que deve ultrapassar seus limites. Com isso, vai protelando e se colocando em um lugar que a sobrecarrega emocionalmente. Sua vida pessoal é afetada, porque ela começa a se sentir incapaz e vai se sobrecarregando cada vez mais, explica a psicóloga. Com isso, a procrastinação torna-se uma aliada, prejudicando a autoconfiança e gerando sentimentos de incapacidade. Em um mundo que constantemente demanda padrões muitas vezes inatingíveis, a autossabotagem pode se manifestar como uma resposta inconsciente à pressão. “Estamos vivenciando um momento no qual as pessoas são, constantemente, cobradas para ser algo que não faz sentido para elas. E, consequentemente, a saúde mental e emocional fica comprometida”, adverte a psicóloga. Sinais de autossabotagemA não realização de tarefas ou a demora em concluí-las são sinais claros de autossabotagem. Ana Cristina enfatiza que a identificação ocorre internamente, à medida que a pessoa se percebe incapaz de atender a cobranças externas. Essa falta de compreensão consciente do processo pode alimentar a autossabotagem, criando um ciclo prejudicial. Estratégias para superar o problemaDe acordo com Ana Cristina, o autoconhecimento é a chave para compreender e desvendar a autossabotagem. “Autoconhecimento, mas com a profundidade para identificar a raiz que faz com que haja a sabotagem. Entender seu mecanismo, faz toda diferença no seu bem-estar”. A autossabotagem não é apenas deixar de realizar tarefas externas, mas deixar de ouvir sua voz interna. Além disso, ela ressalta que, durante o processo de autoconhecimento, a autossabotagem pode surgir como uma tática do ego para evitar o contato com conteúdos desconfortáveis. “Isso é o que acreditamos, porque os modelos estabelecidos nos levam a esta crença; é como se nos distanciando deste contato, o conteúdo não existirá em nós. Não penso, logo não existe. Este subterfúgio vai sobrecarregando a pessoa e, quando ela se dá conta, busca mais distrações”, explica. Superar esse obstáculo requer uma abordagem profunda e atenta ao bem-estar.