(Adobe Stock) As fortes dores nas articulações são as queixas mais frequentes em pacientes com artrite. Imaginar esse cenário de dor e incluir atividade física na rotina pode parecer angustiante, mas especialistas garantem que, na hora certa, o exercício é um grande aliado no tratamento. As doenças reumáticas afetam mais de 38 milhões de pessoas em todo o mundo, com 15 milhões de casos registrados no Brasil. Entre os tipos mais prevalentes estão as artrites, sendo a reumatoide uma das mais comuns. Atualmente, essa condição atinge cerca de dois milhões de brasileiros, conforme dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Embora seja mais frequente em mulheres entre 30 e 40 anos, a doença pode afetar pessoas de qualquer idade, inclusive crianças. “A artrite reumatoide é uma doença inflamatória crônica que se inicia com dor, calor, edema, extensão e limitações de movimento, principalmente nas articulações das mãos, punhos, pés, tornozelos, joelhos e coluna cervical”, explica Márcia Veloso, reumatologista do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam). Os sintomas mais comuns ainda incluem desconforto, principalmente nas primeiras horas do dia, rigidez, inchaço e fadiga excessiva. Ainda que seja uma condição sem cura, o tratamento adequado, aliado a hábitos saudáveis, permite controlar as ocorrências e melhorar significativamente a qualidade de vida. “Se a pessoa notar a presença de alguns desses sintomas por um período superior a seis semanas, é crucial buscar ajuda de um reumatologista, pois pode ser um indicativo de artrite reumatoide. É preciso alertar que esse quadro, sem o tratamento adequado, tende a resultar em perda de movimento nas áreas afetadas e atrofia muscular regional”, afirma a médica. Ela explica que, além do tratamento medicamentoso, é fundamental adotar medidas complementares, como fisioterapia e terapia ocupacional, para preservar a mobilidade e a funcionalidade das articulações. No entanto, à medida que os sintomas começam a melhorar, a prática regular de atividades físicas se torna igualmente crucial e faz toda a diferença. Exercícios Muitos pacientes com o diagnóstico de artrite temem que a realização de atividades físicas possa piorar a dor ou trazê-la de volta, mas a ciência atesta o contrário. “A maioria das atividades físicas melhora a circulação sanguínea, incrementa a mobilidade e fortalece os músculos, o que é particularmente benéfico para quem tem problemas nas articulações. Esse quadro reduz a sobrecarga nas áreas afetadas”, complementa Washington de Souza. Entre as atividades mais recomendadas, estão exercícios de baixo impacto, como caminhadas e atividades aquáticas. “A caminhada favorece a circulação sanguínea e diminui o desconforto. Já a natação e a hidroginástica minimizam o impacto, permitindo que os pacientes se exercitem sem sentir dor intensa”, ressalta o educador físico. Outras práticas, como alongamento, pilates e ioga, também são indicadas, pois, além de melhorarem a flexibilidade e fortalecerem músculos específicos, ajudam a aliviar a dor e melhoram a mobilidade. A musculação e o treinamento funcional com pesos ou elásticos, quando realizados corretamente, também fortalecem os músculos ao redor das articulações, já que são exercícios que contribuem para a redução da pressão sobre as áreas afetadas. Contra-indicações Algumas práticas são desaconselhadas para quem tem artrite, como as atividades de alto impacto (principalmente durante períodos de dor aguda). Corridas, saltos ou esportes que impõem grande estresse nas articulações, como futebol, basquete e vôlei, podem intensificar a dor e a inflamação. Além da atividade física, outros hábitos diários podem ajudar a aliviar os sintomas da artrite e melhorar o bem-estar. “A crioterapia, por exemplo, é ótima aliada para reduzir o inchaço e a inflamação. Já para o alívio da dor muscular, compressas quentes são indicadas, pois favorecem o relaxamento e a circulação”, orienta Washington. Manter a alimentação saudável e equilibrada é outro aspecto fundamental, pois, além de auxiliar no controle do peso, uma boa dieta pode amenizar o processo inflamatório. “E não menos importante, é preciso buscar a qualidade do sono, já que durante o período de descanso, o corpo realiza a recuperação e reparação dos tecidos”.