(Adobe Stock) Sempre tive fascinação pelo trevo, essa plantinha graciosa, que com quatro folhas é símbolo de sorte. Aprendi ainda criança a buscá-la entre os jardins para que a bem-aventurança me alcançasse. Nunca achei a de quatro. E nunca me importei. O trevo com suas comuns três folhas já me deixava feliz. Até hoje. Gosto de encontrá-lo por aí em vasos e canteiros. Para minha sorte (!) tem um tapete de trevos que ganharam vida na calçada em frente ao meu prédio. Começaram pequeninos e, graças às últimas chuvas, se multiplicaram criando um espetáculo para meus olhos, adoradora de trevos. Todos os dias minha vira-latinha Charlotte e eu vamos lá espiá-los. Na nossa cultura, o trevo de três folhas não é aquele achado como o de quatro. Mas se passamos nossos dias esperando o ideal, somos incapazes de aproveitar a beleza do que é especial sem precisar ser incrível. Perdemos. Não reconhecemos a felicidade acreditando que tem que ser sempre algo maior. Não conseguimos agradecer pelo tanto de fortuna, no sentido de acontecimentos positivos, que já nos cercou e cerca. Focamos demais no que falta. E muitas vezes nem falta realmente. A sensação de que estamos para trás não é real. É só um sentimento de inadequação que nasce com a máquina do consumo excessivo e do imediatismo que toma conta dos nossos tempos. Então, pare um pouco e olhe ao redor. Neste instante, exatamente onde você se encontra, conte quantas referências de bom destino e felicidade te atravessam. Pessoas, objetos variados, fotos, paisagens, algo que te lembra momentos bonitos. Meu convite é que, ao invés de dar tamanha atenção para o que falta ou ao como gostaria que tivesse sido, você quantifique suas alegrias concretas. Tem coisa doendo por aí? Eu sei que tem. Sei que não é fácil. Que questões a serem trabalhadas e compreendidas podem drenar nossa energia. Mas ao deslocar essa energia e essa atenção ao que nos faz bem e a quem nos quer bem, o coração reencaixa, o humor melhora. E sabe quando cito ali em cima que, na nossa cultura, o trevo de três folhas parece menos importante do que o de quatro? Saiba que na cultura celta os druidas, lideranças na comunidade, consideravam o trevo de três folhas sagrado já que o três era um número místico para eles. As quatro folhas seriam ação de fadas da floresta, sendo uma representação do poder da natureza e dos deuses. No século 5, São Patrício usou a pequena planta para explicar a Santíssima Trindade do cristianismo (Pai, Filho e Espírito Santo), simbolizando uma unidade em três partes. A associação fez, inclusive, que o trevo se tornasse um símbolo da Irlanda, assim como o verde. No fim, o trevo de quatro folhas é só uma anomalia genética. Há um para cada 10 mil no mundo. Sorte é mais sobre o que construímos. Os resultados que nos atingem são sobre nossas ações – ou a falta delas. Logo, não espere o fantástico para viver. Faça o fantástico acontecer. P.S.: Se você nunca foi a uma celebração do Dia de São Patrício, o St. Patrick’s Day, em 17 de março, não sabe o que está perdendo. É divertido! O símbolo do trevo, a cor verde e a música celta dão o tom. Vale ouvir Toss The Feathers, da banda The Corrs, para entrar no clima. Boa sorte!