(Alexsander Ferraz/AT) Não importa a idade: as marcas de uma vida estão em qualquer pessoa para ajudar a contar a história dela. Existe também quem prefira espalhar pelo corpo outros tipos de registros, cada qual com sua simbologia e motivações. Com desenhos ou palavras, tamanhos grandes ou pequenos, as tatuagens seguem presentes não somente entre os jovens - acima dos 18, idade permitida para isso - como em outras faixas etárias. “Geralmente o cliente já vem com uma ideia pronta de algo que viu na internet. Caso ele não tenha visto nada parecido, ele pede e nós desenhamos ou recriamos”, explica o tatuador Daniel Leria, de 35 anos, do estúdio Paradise Tattoo, no Gonzaga, em Santos. A cidade é berço da técnica, vinda para o Brasil em 1959, via Porto de Santos. No estúdio, existem mais de 20 estilos, subcategorias e misturas de estilos, criando novos. “É muito difícil dizer quais os desenhos mais pedidos, pois é algo muito pessoal, porém temos os estilos mais pedidos”, observa o tatuador, há 15 anos na profissão. Entre as mulheres, conta Leria, é muito comum pedirem tatuagens com desenhos de traços finos, sejam florais, animais, escritas e outros tipos. “Sessenta e cinco por cento da procura é delas”, afirma. Já no caso dos homens, as solicitações são de tatuagens maiores, com leões e tigres, que representam força. “Também existe grande procura por tatuagens de mitologia romana ou grega”, emenda. O fato de Santos ser cidade praiana também gera interesse pelo estilo Maori, segundo o tatuador. Trata-se do nome de uma tribo nativa da Nova Zelândia, na Oceania, que usa a tatuagem como representatividade de sua cultura. Os desenhos são inspirados nas artes tribais da Ilha da Polinésia. Idades, frases e um coração A faixa etária que mais procura o estúdio para tatuagem é bastante ampla: vai dos 18 aos 40 anos. “Acima disso, já tatuei pessoas de 50, 60 e o máximo, até agora, foi 75 anos. A mulher escreveu Jesus em um dos braços”, afirma Leria. Os tipos de tatuagens, em algumas ocasiões, são curiosos. “Muitas são engraçadas e fofinhas, como uma frase que marcou muito a pessoa, e também as virais para repercutir na internet. Entre esses casos, tem o nome da pessoa nos glúteos ou a expressão ‘tô com fome’”, conta. Uma motivação bem comum para que as pessoas recorram a uma tatuagem no corpo está no coração, segundo Leria. “Muita gente procura tanto a tatuagem quanto a academia depois do fim de um relacionamento, pois ajuda na autoestima”, justifica. Tatuador não leva a sério ideia de influencer que tatuou marquinha de biquini A influencer MC Lina chamou a atenção da internet em dezembro ao decidir tatuar uma “marquinha de biquini”. Ela postou vídeo nas redes sociais mostrando desde a chegada ao estúdio e a confecção do desenho até, dias depois, a cicatrização da tatuagem. Perguntado sobre o assunto, o tatuador Daniel Leria não levou a sério a ideia nem acredita que isso vire moda. “Acho que foi algo esporádico, pois não faz nem sentido. A tatuagem é uma pigmentação de tinta na pele. Para a marca de biquini, a pessoa bronzeia o corpo. Então, para a gente que é do meio, isso não é nada: ou seja, ninguém fala nem procura”, dispara. Leria observa que a tinta branca direto na pele tende a ficar amarelada. “Quando há tinta preta em volta, como em um detalhe do olho ou dente de um desenho, aí sim o branco funciona”, justifica. (Arquivo pessoal) Liberdade e marco pessoal A primeira tatuagem da estudante de Enfermagem Giulia Magno, de 22 anos, foi feita em 2022. O desenho no braço direito é de um manequim feminino. “A decisão de fazer veio de um desejo de expressão pessoal”, afirma a santista, atualmente morando em Santo André, no ABC paulista. “A tatuagem significa liberdade de expressão, a própria liberdade, um marco individual na história de cada um”, define. O tempo passou e a quantidade de tatuagens aumentou. Atualmente, Giulia tem três, sendo duas no braço direito e uma no esquerdo. “Senti vontade no calor do momento e me inspirei ao meu redor, tendo como resultado uma lua (no braço esquerdo), representando mudanças e imperfeição, o manequim feminino, que eu já comentei, representando a mim mesma, e um fantasma (no braço direito), que foi feito junto com dois amigos”, contou. A estudante de Enfermagem está cumprindo à risca a máxima que diz que, depois da primeira tatuagem, cresce a vontade de possuir a segunda e assim por diante. “Foi exatamente isso. É bom ver o corpo mudando, a tinta na pele e a sensação de fazer algo novo e marcar a história na pele”, comenta.