(Divulgação) Quando um bebê nasce e logo demonstra preferência pela mão esquerda, a curiosidade da família quase sempre surge: será que ser canhoto é hereditário? A ciência mostra que a tendência ao canhotismo pode, sim, estar relacionada à genética, mas não apenas a ela. Pesquisas indicam que a combinação entre fatores biológicos, neurológicos e ambientais ajuda a explicar por que algumas famílias têm mais canhotos em sua linhagem do que outras. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A influência genética no canhotismo De acordo com estudos da Universidade de Oxford, há indícios de que genes ligados ao desenvolvimento do cérebro estejam diretamente relacionados à preferência manual. Pesquisadores identificaram variantes genéticas associadas à assimetria do cérebro que podem aumentar a probabilidade de uma pessoa ser canhota. Se um dos pais é canhoto, a chance de o filho também ser pode chegar a 20% — bem acima da média mundial, que gira em torno de 10%. Em famílias onde ambos os pais são canhotos, essa probabilidade pode ultrapassar os 40%. Ou seja, o nascimento de um bebê canhoto pode sinalizar a presença desses genes na linhagem familiar, ainda que eles não se manifestem em todos os descendentes. O papel do cérebro e do ambiente Além da genética, o canhotismo está ligado ao funcionamento cerebral: O hemisfério direito do cérebro controla a mão esquerda e pode ser mais dominante em algumas pessoas. Fatores ambientais, como estímulos na infância ou até a posição do feto no útero, também são apontados como influências. Segundo a neurocientista Renata Gomes, “o canhotismo não é uma anomalia, mas uma variação natural da espécie humana, com forte base biológica. Ele tende a aparecer de forma dispersa em famílias, mas quando há casos repetidos, é um indício de predisposição genética”. Impacto na linhagem familiar Quando um bebê nasce canhoto em uma família majoritariamente destra, isso não significa uma “mudança de rota” genética, mas sim a expressão de uma característica que estava latente. Pode indicar a presença de genes que já existiam em gerações anteriores. Também pode abrir espaço para novos padrões na descendência futura, já que a característica pode ser transmitida para filhos e netos. Portanto, a chegada de um bebê canhoto funciona como um marcador da diversidade genética dentro da linhagem familiar. Curiosidades históricas sobre os canhotos Famosos como Leonardo da Vinci, Albert Einstein, Barack Obama e Paul McCartney eram ou são canhotos. Durante séculos, o canhotismo foi visto com preconceito em muitas culturas, mas hoje é entendido como apenas uma variação neurológica. Estudos sugerem que canhotos podem ter vantagens em áreas como esportes de contato e criatividade artística, justamente por pensarem de forma menos “linear” do que os destros.