“Antigamente, quem ditava a moda eram a TV. com atrizes, as revistas e os blogs", diz Gabrielle Grossi (Arquivo Pessoal) A Geração Z, formada pelos nascidos entre 1997 e 2012, é uma das mais conectadas ao mundo da moda, aponta a influenciadora digital e analista comercial de marketing, Gabrielle Grossi. O motivo está justamente na internet. “Isso (a conexão com a moda) acontece principalmente pelos influenciadores e formadores de opinião hoje em dia. Acredito que cada vez mais as pessoas estão ligadas sobre o que está ou não na moda”, afirma a santista que trabalha em São Paulo. A maior diferença desta para outras gerações está na forma como consomem ou consumiram moda, na visão de Gabrielle. “A geração anterior, os Millennials, tinha a moda ditada pelas estrelas de Hollywood em filmes ou séries, revistas de moda, os blogs e o início do Instagram. Hoje em dia, as fontes principais mudaram, tudo está na palma da mão. Então temos ainda o Instagram, TikTok, Pinterest e YouTube, tudo isso com os criadores de conteúdo que espalham rapidamente a moda para todos”, explica. Autenticidade e microtendências A influenciadora digital e analista comercial de marketing analisa a moda atual como “muito autêntica”. “Temos a moda sem gênero, que esta cada vez mais forte, a moda nostálgica que traz muito dos anos 2000 e uma tendência muito forte também é a moda sustentável. Essa última vem muito do consumo consciente dos jovens, que entenderam que as peças de roupas não são descartáveis, e que os brechós muitas vezes escondem ouro”, comenta. O minimalismo ou um jeito básico de se vestir sem abrir mão da elegância está mais do que na pauta da moda dos jovens. “Ainda mais o minimalismo com personalidade. As tendências Clean Girl e Quiet Luxury (ver mais abaixo) estão cada vez mais em alta em diversos nichos, até em tatuagens sendo removidas e mulheres tirando as próteses de silicone. Mas, ao mesmo tempo, temos o maximalismo em alta também na Geração Z. Nos dias de hoje, o jovem mistura os estilos, cada dia acordando com uma vontade diferente de se vestir”, argumenta. A moda atual é muito mais rápida e diversa, lembra Gabrielle Grossi. “Antigamente, quem ditava a moda eram a TV. com atrizes, as revistas e os blogs. Além disso, as tendências duravam anos. Atualmente, com TikTok e Instagram em alta, qualquer um pode ditar tendência ou viralizar um conteúdo, e as microten-dências surgem e desaparecem com muita frequência”, afirma. “Por exemplo, no TikTok, tivemos o boom da estética Clean Girl, Balletcore (ver quadro). No Instagram é tendência compartilhar dicas de moda através de reels e carrossel. Foi ali também que vimos muito nascer a Quiet Luxury. Nas redes, temos os influenciadores digitais, que criam moda ao vivo e são contratados por grandes marcas - um exemplo disso é a influenciadora Silvia Brás com marcas com Riachuelo”, detalha. A Clean Girl é aquela que você olha e pensa: elegância sem esforço. É um estilo minimalista que combina roupas básicas com bons cortes, maquiagem leve e uma estética natural. Algumas características vistas nessa estética são os cabelos alinhados, como coques bem feitos e polidos, looks e unhas em tons neutros, pele iluminada e natural. A Balletcore já é uma tendência bem feminina e, como o próprio nome já diz, inspirada no mundo do Ballet, com sapatilhas e peças delicadas. As cores são em tons pastéis, a maquiagem é natural e com blush mais rosado. Os tecidos desse estilo são fluídos e leves, como tule, chiffon e cetim. É uma estética que traz o universo do balé, mas mistura o ar moderno e casual. A Quiet Luxury é aquela que olhamos para a pessoa e pensamos: tem cara de rica! As peças são de altíssima qualidade, cortadas de forma impecável, mas sem ostentação de logomarca explícita. As cores também são neutras, os acessórios são discretos e os tecidos são nobres, como lã, seda e couro de qualidade. O administrador hospitalar santista Eduardo, de 33 anos, afirma que a moda é sua maneira preferida de expressão (Arquivo Pessoal) Diversos estilos O administrador hospitalar santista Eduardo Martins Loureiro Mendonça Costa, de 33 anos, afirma que a moda é sua maneira preferida de expressão desde a adolescência, embora não seja única. E há razões para isso. “A moda tem um diferencial em relação a outras formas de expressão. Ela é ágil, você troca de roupa muito rápido, essa efemeridade você não encontra no design arquitetônico, por exemplo. Ela é moderna, é um fruto do capitalismo, e, portanto, segue ou conduz alguma de suas regras; diferente da arte, por exemplo. Ela é multifacetada e permite composições, o que também é muito bacana. Todas essas são características da pós-modernidade: agilidade, modernismo e composições. Se levar então o conceito de remember ou retrô você praticamente definiu a pós-modernidade”, analisa. Diante disso, é natural que Eduardo não goste de se categorizar, de se colocar em uma prateleira, por considerar o maior erro que se pode ter. “Diria que tenho influências do rock, do punk, da rebeldia, da pós-modernidade e, paradoxalmente, até um pouco do conservadorismo, advindo da minha família e de onde nasci e morei. Acho que eu sempre fui antissistema, sempre fui do contra, apesar de o tempo ter me domado um pouco. Então gosto muito de rebeldia e punk, sabe aqueles produtos handmade, que você corta uma camiseta e você mesmo altera ela com alfinetes? Gosto muito”, detalha. Quando pensa que superou a origem e a influência da família, o lado conservador do administrador hospitalar desponta novamente. “Gosto muito de conforto. Por exemplo, amo Loro Piana, que é uma marca super minimalista, focada na qualidade do material. Bem estética Old Money (mais clássica e tradicional), e eu gosto de uma estética mais moderna, da moda. Lembro que uma vez eu estava procurando a Loro Piana em uma loja de departamentos em Nova Iorque, olharam para mim e falaram: ‘Sério que você tá procurando o estande da Loro Piana? Jamais imaginaria com todos esses designers que você está usando’. Mas a verdade é que é muito gostoso você usar peças que fiquem bem no corpo”, conta. Instintivo O armário de Eduardo é considerado bastante instintivo até porque ele já sabe quais as peças-chaves que prefere. “Não tenho muitas e muitas peças, mas as peças que eu tenho, são statement (roupas e acessórios que ocupam lugar de destaque no visual) e eu gosto muito. Mas amo combinar uma peças-chave, como um cinto que eu tenho de uma designer japonesa, com uma calça de uma loja de fast fashion, como a Renner, por exemplo”, comenta. Apesar de ser menor a agressividade na escolha de roupas quando vai para o trabalho no hospital, Eduardo também não acredita que as pessoas devam suprimir a própria subjetividade em razão da atividade profissional. E, ao comprar uma roupa, ele não pensa tanto nas outras que possui, assim como em possíveis combinações. “Cada peça tem que se sustentar por si só. Ser bonita sozinha. A mágica acontece quando você começa a misturar peças únicas e bonitas entre si. Não trabalho com um nível tão grande de planejamento assim. A moda criativa tende a ser mais experimental que estratégica”, define.