Dieta pouco saudável e consumo de bebidas açucaradas são parte da fórmula que sobrecarrega o fígado (Divulgação / Freepik) Você pode não perceber, mas algumas escolhas bem comuns no seu dia a dia, não apenas os excessos evidentes, podem estar contribuindo para o acúmulo de gordura no fígado, condição conhecida como esteatose hepática. Essa doença silenciosa costuma acontecer sem grandes sintomas, mas, com o tempo, pode evoluir para complicações sérias se não for controlada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com especialistas, hábitos corriqueiros como sedentarismo discreto, sono de má qualidade, alimentação “normal”, mas desequilibrada, e até mesmo comportamentos aparentemente inofensivos podem agravar a saúde do fígado. A seguir, veja os principais “micro-hábitos” que estudiosos e médicos apontam como riscos, por que eles são prejudiciais e quais atitudes adotar para proteger seu fígado. Por que esses micro-hábitos fazem mal Antes de entender os hábitos, é importante saber o que é a esteatose hepática e por que ela é preocupante. A esteatose hepática ocorre quando há acúmulo de gordura dentro das células do fígado (hepatócitos). A doença pode ser silenciosa: grande parte das pessoas não apresenta sintomas até que haja um quadro mais avançado. Fatores de risco envolvem desde sobrepeso, resistência à insulina, colesterol alto e sedentarismo, até uma dieta rica em alimentos processados. Se ignorada, a esteatose pode evoluir para inflamação, fibrose, cirrose e até câncer de fígado. 7 micro-hábitos que podem favorecer a gordura no fígado (e como revertê-los) Com base em estudos e artigos de saúde, aqui estão alguns comportamentos aparentemente inofensivos, mas que podem prejudicar o fígado — e dicas para corrigi-los: Sedentarismo disfarçado Ficar muitas horas sentado (no trabalho, no sofá) sem pausas nem exercício pode aumentar o risco de esteatose. Solução: Levante-se a cada 30 ou 60 minutos para caminhar, faça alongamentos simples ou tenha ao menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Sono inadequado ou de baixa qualidade Dormir menos ou ter sono fragmentado pode interferir no metabolismo e no equilíbrio hormonal, favorecendo o acúmulo de gordura no fígado. Solução: Priorize entre 7 a 9 horas de sono por noite e adote uma rotina regular para dormir e acordar. Consumo constante de carboidratos refinados Muitos micro-hábitos alimentares envolvem alimentos aparentemente “normais”, como pães brancos, arroz polido, macarrão, que, se consumidos em excesso, elevam os níveis de glicose no sangue, contribuindo para o acúmulo de gordura hepática. Solução: Prefira grãos integrais, como arroz integral, quinoa e aveia; reduza a ingestão de pães brancos e alimentos processados. Bebidas adoçadas (incluindo refrigerantes e “diet”) Mesmo uma ou poucas bebidas açucaradas por dia já podem representar risco. Um estudo recente indicou que menos de uma lata de refrigerante por dia, tanto doce quanto “zero”, está associada a maior risco de doença hepática gordurosa. Solução: Substitua essas bebidas por água, chás sem açúcar ou outras opções naturais. Alimentação rica em carnes gordurosas Dietas com alto consumo de carnes vermelhas ou processadas contribuem para inflamação e acúmulo de gordura no fígado. Solução: Prefira proteínas magras, como aves, peixes, leguminosas. Inclua mais vegetais e fibras nas refeições. Ignorar o estresse metabólico Estresse, flutuações de peso, insulina alta e resistência à insulina são problemas silenciosos que impactam diretamente a saúde hepática. Solução: Busque estratégias para controlar o estresse (atividades físicas, meditação, sono) e cuide para manter peso corporal saudável. Negligenciar visitas médicas e exames preventivos Como a esteatose muitas vezes não dá sintomas, muitas pessoas só descobrem após exames de rotina. Solução: Realize check-ups regulares, incluindo exames de sangue (transaminases) e ultrassonografia se indicado, principalmente se tiver fatores de risco. Como reverter ou prevenir o acúmulo de gordura no fígado Se esses micro-hábitos já estiverem presentes, a boa notícia é que a esteatose hepática é frequentemente reversível, especialmente nos estágios iniciais. Para isso, especialistas recomendam: Modificação alimentar: dieta rica em fibras, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis. Redução ou eliminação de alimentos ultraprocessados, refrigerantes e açúcares. Atividade física regular, mesmo simples como caminhada diária. Sono de qualidade e gerenciamento de estresse. Consultas médicas periódicas para monitoramento do fígado. A importância da conscientização: saúde do fígado não é só para pacientes graves A esteatose hepática é cada vez mais comum, estima-se que até 30% da população brasileira seja afetada. No entanto, por ser silenciosa, muitas pessoas não sabem que correm risco. Médicos alertam que pequenas mudanças, mesmo que sutis, podem ter impacto real se feitas cedo. Olhar para a saúde do fígado como parte de um cotidiano equilibrado e consciente pode prevenir complicações graves como inflamação crônica, cirrose ou até câncer de fígado.