No País, o setor siderúrgico representa 1,5% do PIB nacional e movimenta mais de R\$ 100 bilhões por ano ( Miguel Ângelo/CNI ) A indústria do aço é absolutamente estratégica para a economia paulista e brasileira. No País, o setor siderúrgico representa 1,5% do PIB nacional e movimenta mais de R\$ 100 bilhões por ano, direta e indiretamente. Emprega, aproximadamente, 110 mil pessoas de forma direta e gera mais de 600 mil empregos indiretos, segundo dados do Instituto Aço Brasil. No caso do Estado de São Paulo, esse impacto é ainda mais expressivo em razão do Polo Industrial de Cubatão, segundo o economista Luciano Simões. O motivo é que o Estado responde por mais de 35% da produção industrial nacional, sendo que a siderurgia é uma das bases dessa força produtiva. “O Polo Industrial de Cubatão, especificamente, tem uma relação histórica com o aço: foi uma das âncoras do seu desenvolvimento a partir da década de 1960, com a chegada de grandes usinas. Além disso, a localização estratégica — próxima ao Porto de Santos e às principais rodovias — faz com que o polo seja um elo logístico e produtivo vital para o setor”, relembra. “Então, qualquer oscilação no desempenho da indústria do aço afeta diretamente a geração de empregos, a arrecadação fiscal e o dinamismo econômico não só de Cubatão, mas de toda a Baixada Santista e do Estado como um todo”, afirma. A Usiminas foi procurada pela Reportagem, mas alegou que não divulga números sobre produção e investimentos. Além disso, a empresa está, no momento, em “período de silêncio”, prática que antecede a divulgação de resultados. Desequilíbrio preocupante O aumento da importação do aço também impacta a economia. Só em 2023, por exemplo, o Brasil importou cerca de 4,6 milhões de toneladas de aço, um crescimento de mais de 45% em relação a 2021, segundo o Instituto Aço Brasil. Grande parte dessas importações vem da China e de outros países asiáticos que produzem com forte subsídio estatal, o que gera um ambiente de concorrência desleal. “Isso tem causado um desequilíbrio preocupante. A capacidade instalada da indústria brasileira gira em torno de 50 milhões de toneladas por ano, mas estamos operando com uma ociosidade superior a 30%. Isso significa que muitas plantas estão subutilizadas e, em alguns casos, paralisações temporárias ou definitivas ocorrem. Em termos de PIB industrial, estima-se que essa pressão externa tenha contribuído para uma queda de 0,2 a 0,3 ponto percentual no crescimento da indústria de transformação em 2023”, avalia Luciano. Além do impacto econômico direto, segundo o economista, essa situação também afeta a arrecadação de impostos, a geração de renda local e a segurança de centenas de milhares de postos de trabalho — especialmente em regiões como Cubatão, onde a dependência da cadeia do aço ainda é significativa. O cenário do aço para o próximo ano é de cautela, mas com alguns sinais de possível estabilização — especialmente se houver ações firmes de política industrial e defesa comercial, de acordo com o economista Luciano Simões. “O setor projeta uma leve recuperação na produção, podendo chegar a 33 milhões de toneladas de aço bruto em 2025, o que representaria crescimento entre 3% e 4% sobre 2024”. Nas projeções à Reportagem, Simões não levou em conta o tarifaço de 50% anunciado no dia 9 pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. A medida deve entrar em vigor em 1º de agosto, mas as autoridades federais tentam um acordo com o governo americano. O economista destaca que a recuperação estimada por ele considera dois fatores. Um é a possibilidade do Governo Federal implementar salvaguardas tarifárias ou medidas antidumping contra importações predatórias, já em debate na Câmara de Comércio Exterior (Camex). O outro fator é o avanço de programas de infraestrutura — como o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — e medidas de estímulo à construção civil e ao setor automotivo, grandes consumidores de aço. “A expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2025 está em torno de 2%, segundo o Boletim Focus, e o setor siderúrgico pode contribuir com até 0,1 ponto percentual disso, caso haja reversão parcial do quadro atual”. No entanto, essa recuperação dependerá de previsibilidade regulatória, acesso competitivo a energia e crédito e equilíbrio nas relações comerciais. “Com um ambiente mais justo, o setor pode voltar a gerar empregos, atrair investimentos e recuperar sua relevância como âncora da indústria nacional”, define.