Um dos pontos mais importantes antes de fechar negócio é verificar toda a documentação do imóvel e do vendedor (Oleksandr P/Pexels) Comprar a casa própria é o objetivo de muitas famílias, mas a falta de planejamento e de informação pode transformar esse sonho em dor de cabeça. Erros na análise da documentação, descuido com custos extras e decisões tomadas por impulso estão entre os problemas mais comuns enfrentados por compradores. Segundo o diretor da R3 Imobiliária, Sthefano Lopes, um dos pontos mais importantes antes de fechar negócio é verificar toda a documentação do imóvel e do vendedor. “O ponto mais importante é essa análise”, afirma. Ele explica que é necessário checar a matrícula do imóvel e confirmar se não existem pendências como hipoteca, penhora ou usufruto. Além disso, também se faz necessário analisar a situação jurídica do vendedor. “É importante verificar se não tem nenhum processo trabalhista, tributário ou cível que possa recair futuramente sobre esse imóvel”, diz. Outro erro frequente é não considerar os custos extras envolvidos na compra. Segundo Lopes, além do valor pago ao vendedor, o comprador precisa arcar com despesas como imposto de transmissão, escritura e registro. “Isso dá mais ou menos de 4% a 5% do valor do imóvel a mais”, explica. Finanças e pressa A falta de planejamento financeiro também costuma gerar dificuldades para quem pretende comprar um imóvel. No caso de imóveis prontos, geralmente é necessário pagar uma entrada de cerca de 20% do valor total, além das demais despesas do processo. Já na compra de imóveis na planta, o comprador precisa ficar atento à correção das parcelas pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC). “Todo imóvel na planta hoje tem uma correção através do INCC. A pessoa precisa se atentar para não ter nenhuma surpresa lá na frente”, afirma. A pressa para fechar negócio também pode levar a decisões equivocadas. Segundo Lopes, atualmente os compradores costumam pesquisar bastante antes de escolher um imóvel, aproveitando as informações disponíveis na internet. “Hoje o cliente tem acesso à informação muito fácil. Ele consegue validar o preço do metro quadrado e entender se aquele imóvel está acima do mercado”, explica. De acordo com ele, a decisão normalmente ocorre após a visita a dois, três ou até quatro imóveis. Localização A localização é outro fator determinante na escolha e na valorização do imóvel. Para o especialista, esse é o principal critério analisado no mercado imobiliário. “Os três principais itens do imóvel são localização, localização e localização”, enfatiza. Segundo ele, a presença de serviços e comodidades no entorno, como supermercados, farmácias, escolas e até a proximidade da praia, pode influenciar diretamente na velocidade de venda e na valorização do imóvel. No caso de imóveis financiados, outro erro comum é iniciar a negociação sem ter o crédito aprovado pelo banco. Lopes explica que o comprador precisa ter clareza sobre o valor das parcelas, o prazo e as taxas de juros antes de assinar qualquer contrato. “Um erro muito comum é a pessoa querer comprar um imóvel ou dar um sinal e depois não ter o crédito aprovado pelo banco”, afirma. Negociação Ele também ressalta a importância de negociar as condições do negócio. Segundo o diretor da imobiliária, a negociação faz parte do processo de compra. “Sempre vem uma proposta. Em média, em 2025, tivemos cerca de 3,7% de desconto em relação ao valor pedido do imóvel”, diz. Outro ponto destacado pelo especialista é o comportamento do comprador. Quem adquire um imóvel para moradia costuma tomar decisões mais emocionais, enquanto investidores priorizam a rentabilidade. “Para quem compra para morar, a decisão mistura a parte financeira com a emocional. Já o investidor faz uma conta totalmente racional, buscando rentabilidade”, explica. Para evitar problemas durante o processo de compra, Lopes recomenda que o comprador procure profissionais especializados. Segundo ele, a assessoria imobiliária ajuda desde a pesquisa de mercado até a análise da documentação e a negociação do imóvel. “Procurar uma imobiliária de nome e credibilidade para assessorar desde o início da jornada de compra é a principal dica”. Ele lembra ainda que a parcela do financiamento não deve comprometer mais do que um terço da renda do comprador. “Se a pessoa ganha R\$ 10 mil, o ideal é que a parcela fique próxima de R\$ 3 mil”, explica. Mesmo com planejamento, o especialista ressalta que a decisão de comprar um imóvel para moradia ainda envolve emoção. “Apesar de ser uma compra grande, ainda é uma decisão extremamente emocional para quem vai morar no imóvel”, conclui. Dez pontos para ficar atento Não analisar a documentação do imóvel: deixar de verificar a matrícula e possíveis pendências, como hipoteca, penhora ou usufruto. Não checar a situação jurídica do vendedor: não consultar certidões para saber se existem processos trabalhistas, tributários ou cíveis que possam afetar o imóvel. Não pesquisar o histórico da construtora: no caso de imóveis na planta, deixar de verificar entregas anteriores, qualidade das obras e possíveis processos judiciais. Ignorar os custos extras da compra: esquecer despesas como ITBI, escritura e registro, que podem representar cerca de 4% a 5% do valor do imóvel. Falta de planejamento financeiro: não se preparar para pagar a entrada, que costuma ser cerca de 20% do valor do imóvel, além das demais despesas. Não considerar a correção das parcelas na planta: em imóveis em construção, não se atentar ao reajuste pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Fechar negócio com pressa: tomar a decisão após ver apenas um imóvel, sem comparar outras opções disponíveis no mercado. Não negociar preço e condições de pagamento: deixar de fazer proposta ou tentar desconto — negociações podem reduzir o valor pedido. Assinar contrato sem ter crédito aprovado no banco: iniciar a compra financiada sem antes garantir a aprovação do financiamento. Comprar sem assessoria especializada: não contar com uma imobiliária ou corretor para analisar documentos, orientar a negociação e evitar riscos jurídicos.