Identificar uma intolerância alimentar pode levar tempo, mas o diagnóstico precoce melhora a qualidade de vida e evita desconfortos desnecessários (Divulgação) Cansaço depois das refeições, dor de cabeça sem explicação, barriga inchada ou incômodos digestivos recorrentes: sinais como esses, muitas vezes, são ignorados ou atribuídos ao estresse do dia a dia. Mas especialistas alertam que podem indicar algum tipo de intolerância alimentar, condição que afeta milhões de brasileiros e pode se manifestar de forma silenciosa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Sociedade Brasileira de Gastroenterologia, as intolerâncias alimentares, que incluem a intolerância à lactose, à frutose e ao glúten (no caso da sensibilidade não celíaca), ocorrem quando o organismo não consegue digerir adequadamente determinadas substâncias presentes nos alimentos. O resultado é um processo inflamatório e uma série de sintomas incômodos que variam de pessoa para pessoa. Sintomas mais comuns de intolerância alimentar Os sintomas de intolerância alimentar podem surgir minutos ou até horas depois da ingestão do alimento problemático. Segundo nutricionistas e gastroenterologistas, os principais sinais de alerta incluem: Inchaço abdominal: o acúmulo de gases e desconforto abdominal são os sintomas mais frequentes. Diarreia ou constipação: alterações intestinais persistentes após determinadas refeições merecem atenção. Náusea e refluxo: o estômago pode reagir mal a substâncias que o corpo não consegue processar. Dor de cabeça e enxaqueca: em alguns casos, há relação entre certos alimentos e crises de dor. Fadiga e sonolência: após comer, o corpo pode gastar energia excessiva tentando digerir o alimento. Manchas ou coceira na pele: a resposta inflamatória pode se manifestar também na derme. Esses sintomas não devem ser confundidos com alergias alimentares, que envolvem o sistema imunológico e podem causar reações graves, como inchaço de lábios e falta de ar. Já as intolerâncias afetam o sistema digestivo e tendem a ser crônicas, mas controláveis. Intolerância à lactose: a mais conhecida A intolerância à lactose, o açúcar presente no leite e seus derivados, é uma das mais comuns. Ela ocorre quando há deficiência da enzima lactase, responsável por quebrar a lactose durante a digestão. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 70% da população mundial apresenta algum grau de intolerância à lactose. Os sintomas geralmente aparecem após o consumo de leite, queijos, iogurtes ou manteiga, e incluem gases, cólicas e diarreia. Hoje, há diversas opções no mercado de produtos “zero lactose”, o que facilita a adaptação da dieta. Sensibilidade ao glúten e outras intolerâncias Outro tipo que tem ganhado atenção é a sensibilidade ao glúten não celíaca, uma reação adversa às proteínas do trigo, cevada e centeio. Embora não envolva o mesmo processo autoimune da doença celíaca, pode causar sintomas semelhantes: dores abdominais, cansaço, irritabilidade e até alterações de humor. Além dela, há intolerâncias menos conhecidas, como à frutose (açúcar natural das frutas e do mel) e aos aditivos alimentares (como corantes e conservantes), que também podem desencadear desconfortos digestivos. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico de intolerância alimentar deve ser feito com acompanhamento médico. Geralmente, o profissional solicita exames específicos, como o teste de hidrogênio expirado (para lactose e frutose), ou propõe uma dieta de exclusão, na qual alimentos suspeitos são retirados e reintroduzidos gradualmente. O tratamento passa por ajustes alimentares, reeducação nutricional e, em alguns casos, uso de suplementos enzimáticos. A boa notícia é que, com o acompanhamento correto, é possível viver bem e sem sintomas.