Se os sintomas digestivos se tornarem frequentes é importante procurar ajuda médica (Divulgação / Freepik) Sentir-se mal após comer certos alimentos é mais comum do que parece e nem sempre se trata de exagero ou “estômago sensível”. Sintomas como inchaço, gases, cólicas e diarreia podem ser sinais de intolerância alimentar, uma condição que afeta cada vez mais brasileiros, segundo dados recentes da Sociedade Brasileira de Gastroenterologia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora muitas pessoas convivam com esses desconfortos por anos sem buscar ajuda médica, especialistas alertam: ignorar os sintomas pode prejudicar a qualidade de vida e até levar a deficiências nutricionais a longo prazo. O que é intolerância alimentar A intolerância alimentar ocorre quando o organismo tem dificuldade para digerir certas substâncias presentes nos alimentos, geralmente por falta ou deficiência de enzimas específicas. Diferente da alergia alimentar, que envolve uma reação do sistema imunológico, a intolerância está ligada ao sistema digestivo. Enquanto a alergia pode causar reações graves e imediatas, como falta de ar e inchaço na boca, a intolerância costuma provocar sintomas mais sutis e progressivos, como gases e dor abdominal horas após a refeição. Principais tipos de intolerância Entre as intolerâncias mais comuns estão: Intolerância à lactose: causada pela deficiência da enzima lactase, responsável por digerir o açúcar do leite. Os sintomas aparecem de 30 minutos a 2 horas após o consumo de leite, queijos ou iogurtes. Intolerância ao glúten (não celíaca): o consumo de alimentos com trigo, cevada ou centeio pode causar inchaço, diarreia e fadiga, mesmo em pessoas que não têm doença celíaca. Intolerância à frutose: ocorre quando o corpo não processa bem o açúcar natural das frutas, mel e alguns adoçantes. Pode provocar dor abdominal e gases. Sensibilidade a aditivos alimentares: conservantes, corantes e realçadores de sabor, como o glutamato monossódico, também podem desencadear sintomas digestivos em pessoas sensíveis. Sintomas que merecem atenção Os sinais de intolerância podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem: Inchaço abdominal e excesso de gases; Cólica e dor de estômago; Náusea e sensação de empachamento; Diarreia ou constipação; Cansaço e irritabilidade após comer; Manchas na pele e dor de cabeça em alguns casos. Um dos maiores desafios é que os sintomas são facilmente confundidos com outras condições, como gastrite ou síndrome do intestino irritável. Por isso, o diagnóstico deve ser feito com acompanhamento médico e exames específicos. Como confirmar o diagnóstico? O diagnóstico de intolerância alimentar é feito por meio de testes clínicos e laboratoriais, que variam conforme a substância suspeita. No caso da lactose, o exame mais comum é o teste de tolerância à lactose, que mede a resposta do corpo após a ingestão do açúcar do leite. Para outros tipos de intolerância, médicos podem solicitar exames de sangue, testes respiratórios (como o teste do hidrogênio expirado) ou dietas de exclusão acompanhadas por nutricionistas. Tratamento e cuidados O tratamento geralmente envolve ajustes na alimentação. Em alguns casos, é necessário eliminar completamente o alimento problemático; em outros, é possível reduzir o consumo e introduzir substitutos. No caso da intolerância à lactose, por exemplo, há hoje no mercado uma grande variedade de produtos sem lactose, o que facilita a rotina alimentar. Mas é importante não cortar grupos alimentares por conta própria. O ideal é buscar orientação profissional para evitar carências nutricionais. Em situações específicas, médicos também podem indicar o uso de enzimas em cápsulas para auxiliar na digestão especialmente em refeições fora de casa. Quando procurar um especialista Se os sintomas digestivos se tornarem frequentes ou interferirem na qualidade de vida, é hora de procurar um gastroenterologista ou nutricionista especializado. Apenas um profissional pode diferenciar se o problema é realmente uma intolerância ou outro distúrbio digestivo. Quanto antes o diagnóstico for feito, mais rápido o paciente consegue adaptar sua alimentação e melhorar o bem-estar. O impacto na qualidade de vida Conviver com uma intolerância alimentar exige atenção constante, mas com acompanhamento e ajustes na dieta, é possível levar uma vida normal e saudável. Hoje sabemos que o equilíbrio e a informação são as principais ferramentas para o controle das intolerâncias.