Avaliar o corpo de forma mais completa e investir em hábitos consistentes são passos fundamentais para reduzir riscos (Divulgação / FreePik) A aparência de magreza nem sempre reflete um organismo saudável. Especialistas alertam que o índice de massa corporal (IMC), cálculo que relaciona peso e altura, é uma ferramenta limitada, pois não distingue massa de gordura, massa muscular ou a distribuição dessa gordura no corpo. Por isso, pessoas dentro da faixa considerada ideal pelo IMC podem, na prática, apresentar riscos metabólicos importantes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse cenário é cada vez mais comum e tem até nome: “obeso metabolicamente com peso normal” (MONW). Nesses casos, apesar da aparência magra, o indivíduo possui altos índices de gordura corporal, principalmente a visceral, aquela que se acumula entre os órgãos, é metabolicamente ativa e está associada à inflamação crônica, resistência à insulina e maior risco cardiovascular. “A gordura visceral costuma estar relacionada ao consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares e gorduras, que favorecem esse tipo de depósito mesmo quando o peso total parece normal. A falta de atividade física regular também é um fator importante para o desenvolvimento dessa condição”, explica a médica endocrinologista Cecilia Solís-Rosas García, membro do Conselho para Assuntos de Nutrição da Herbalife. Risco maior para o coração e para a longevidade Estudos publicados no European Heart Journal e no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle reforçam que pessoas com IMC normal podem apresentar percentual de gordura elevado associado à baixa massa muscular. Essa combinação aumenta o risco de doenças metabólicas, como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos devido ao efeito inflamatório da gordura no organismo. Além disso, a redução da massa muscular pode gerar consequências sérias, como maior risco de quedas, fraturas de quadril, dificuldade de locomoção e até maior mortalidade precoce. Avaliar a composição corporal é fundamental Profissionais de saúde defendem que, mais importante do que acompanhar apenas o peso na balança, é avaliar a composição corporal, ou seja, a proporção entre gordura e músculo. A medição pode ser feita por balanças de bioimpedância ou outros métodos clínicos. Como prevenir e enfrentar o problema Especialistas recomendam mudanças no estilo de vida que vão além da contagem de calorias: Alimentação equilibrada, com foco em alimentos nutritivos e boa ingestão de proteínas, vitaminas e minerais. Atividade física regular, entre 150 e 300 minutos por semana. Controle do estresse e dos hábitos inflamatórios. Sono de qualidade, entre 7 e 9 horas por noite. Acompanhamento periódico da composição corporal, de preferência com orientação profissional.