A endometriose é caracterizada pelo crescimento do tecido endometrial fora da cavidade uterina (AdobeStock) A endometriose, caracterizada pelo crescimento do tecido endometrial fora da cavidade uterina, é uma das principais causas de infertilidade feminina. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta cerca de 176 milhões de mulheres no mundo – sendo 7 milhões no Brasil. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Endometriose, mais de 30% dos casos levam à infertilidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas o problema pode gerar efeitos ainda mais preocupantes. É o que aponta um novo estudo realizado no Hospital Rigshospitalet da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, apresentado segunda-feira no Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres, na Inglaterra. O estudo foi baseado em um banco de dados dinamarquês para analisar casos de endometriose diagnosticados entre 1977 e 2021, comparando 60.508 mulheres com a doença a outras 242.032 sem o quadro. As participantes foram acompanhadas por 16 anos, avaliando fatores como nível socioeconômico e problemas cardiovasculares, como infarto e AVC. Os resultados mostraram que mulheres com endometriose têm quase 20% mais risco de desenvolver problemas cardíacos e vasculares em comparação àquelas sem a condição. Como acontece a endometriose? De acordo com o médico especialista em ginecologia e obstetrícia Alexandre Silva e Silva, o resultado do estudo deve ser analisado com cautela: ele dá um possível motivo para a correlação entre doenças cardiovasculares e endometriose. “Pacientes com endometriose são comumente tratadas com anticoncepcionais hormonais orais. O uso prolongado dessas medicações pode aumentar os riscos de trombose, AVC e risco cardiovascular. A endometriose é uma doença que tem casos graves, com dores incapacitantes, mas isoladamente pode não ser a vilã que descreve o estudo”, enfatiza. A endometriose ocorre por disfunções no tecido de revestimento do útero. “É uma condição crônica, onde tecido semelhante ao revestimento do útero (endométrio) cresce fora dele, afetando os ovários, tubas uterinas e outros órgãos da região pélvica”. Sintomas • Dificuldade para engravidar • Dor intensa durante a menstruação • Sangramento menstrual irregular • Dor pélvica persistente • Dor durante as relações sexuais • Fadiga Tratamento Existe tratamento para o problema, mas ele pode variar de acordo com cada situação e paciente, em geral, é necessária cirurgia, nos casos mais graves pode ser necessária a remoção de parte do intestino e da bexiga. “Os tratamentos para endometriose são adaptados para cada paciente, mas em geral utilizam medicamentos para dor, terapia hormonal para reduzir o crescimento do tecido endometrial e, em casos mais graves, cirurgia para remover lesões”. Também há a possibilidade da retirada do útero, mas em casos específicos. “A histerectomiade só é realizada quando a paciente apresenta adenomiose (focos de endometriose no meio da fibras musculares uterinas) ou quando existem miomas uterinos. A remoção do útero, por si só, não trata a endometriose”, alerta Alexandre.