Entidade alerta para dificuldades que podem surgir com mudança (Alexsander Ferraz/AT) O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Renato Correia, participou de reuniões nesta semana, em Brasília, para discutir com autoridades a proposta de fim da escala de trabalho 6x1, defendida pelo Governo Federal e que deve ser analisada pelo Congresso Nacional neste ano. Para ele, uma mudança pode ser prejudicial ao setor. A entidade teme atrasos na entrega de obras e desequilíbrio de contratos vigentes, assinados sob a regra das 44 horas semanais de trabalho, em até seis dias da semana. “Nós entendemos que essa alteração precisa ser discutida de forma mais abrangente, porque alterar a carga de trabalho impacta diretamente os custos, sem uma contrapartida de produtividade. É preciso discutir com profundidade e seriedade, para que tenhamos um projeto de aumento da produtividade de forma que, no futuro, possamos pensar em redução de jornada”, declarou Correia. Por isso, a Cbic abriu diálogo com os poderes Executivo e Legislativo para discutir soluções a possíveis impactos econômicos, sociais e jurídicos com a redução da jornada. Um dos encontros foi com o secretário-executivo do Ministério das Relações Institucionais, Olavo Neto, na última quarta-feira, no Palácio do Planalto. “O setor da construção tem características muitos próprias, como a necessidade de trabalho aos sábados. Também temos um déficit de mão de obra considerando a jornada atual e teríamos que contratar mais 288 mil profissionais, um contingente que não está disponível no mercado”, disse Correia. Antes, ele teve uma reunião com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. “Nós teremos problemas em obras que estão em andamento. O temor é que a redução de horas trabalhadas impacte nos prazos de entregas, com mais obras atrasadas”, pontuou o presidente da Cbic. Marinho demonstrou sensibilidade às preocupações do setor e se dispôs a manter o diálogo aberto para buscar solução que amenize os impactos. “Vamos montar uma câmara técnica para discutir o assunto e trabalhar as especificidades nas convenções coletivas”, destacou o ministro. O secretário-executivo do Ministério das Relações Institucionais, Olavo Neto, também manteve as portas abertas. “Nós entendemos que cada setor tem determinadas características que terão de ser tratadas conforme as necessidades durante as discussões de redução de jornada”, disse.